Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Com a chegada do inverno, produtores rurais de todo o país redobram a atenção aos desafios típicos da estação. Na suinocultura, o frio representa mais do que um desconforto térmico: é um teste para a infraestrutura da granja, para o manejo e para o entendimento fisiológico de uma espécie que, como os humanos, também busca calor, conforto e saúde.
Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Osmar Dalla Costa, os prejuízos causados pelas baixas temperaturas podem comprometer seriamente o desempenho zootécnico e a sanidade dos animais. “O maior desafio no inverno é manter os suínos dentro da zona de conforto térmico, que varia conforme a fase de vida”, explica. Quando esse equilíbrio se rompe, o animal passa a usar energia para manter a própria temperatura corporal, em vez de convertê-la em ganho de peso ou produção de leite.
Fases mais críticas
O impacto do frio é particularmente severo em fases como maternidade e creche. Leitões recém-nascidos precisam de aquecimento constante, com ambientes em torno de 28 a 30 °C. Já matrizes lactantes têm melhor desempenho em temperaturas mais amenas, por volta de 20 °C. “Não dá para trabalhar com médias. Cada categoria tem sua exigência térmica, e isso precisa estar previsto no manejo”, alerta o pesquisador.
A amplitude térmica também é uma vilã nas granjas. Variações bruscas entre a madrugada e a tarde — comuns em regiões do Sul e Sudeste — geram estresse térmico, reduzem o consumo de ração e água, e favorecem o aparecimento de doenças respiratórias, como pneumonias.

Ambiência e sanidade
Para enfrentar o frio, muitos produtores optam por fechar as instalações. Mas esse procedimento, se feito sem critério, pode gerar acúmulo de gases nocivos, como amônia e dióxido de carbono, que prejudicam a qualidade do ar e favorecem infecções.
Além disso, a umidade interna deve ser cuidadosamente monitorada. No inverno, os suínos bebem menos água, o que tende a reduzir a umidade relativa do ar. Mas, em ambientes vedados demais, ela pode subir perigosamente, intensificando o acúmulo de gases.
Outro ponto crítico é o piso. O contato prolongado com superfícies frias pode causar lesões cutâneas e aumentar a susceptibilidade a doenças. O uso de tapetes térmicos, maravalha, palha ou materiais isolantes ajuda a manter o conforto dos animais.
Tecnologia e gestão como aliadas
Mesmo em granjas sem sistemas automatizados, é possível minimizar os efeitos do inverno por meio do manejo inteligente das cortinas, da limpeza frequente das calhas e da observação clínica dos lotes. Tosse, espirros e debilidade são sinais de alerta comuns nesta época.
Já nas propriedades mais estruturadas, a automatização da ambiência tem ganhado espaço. Telhados com isolamento térmico, sistemas de climatização e aquecedores automáticos tornam o ambiente mais estável, reduzindo as perdas e melhorando os indicadores técnicos.
“A tecnologia ajuda, mas o olho do produtor ainda é o principal sensor da granja”, afirma Dalla Costa. Aplicativos de celular e previsões meteorológicas são ferramentas simples, mas valiosas, para antecipar variações de temperatura e ajustar o manejo com antecedência.
Eficiência e sustentabilidade
O pesquisador também destaca o uso crescente de geradores movidos a biogás, produzidos a partir dos próprios dejetos dos animais, como solução sustentável para gerar energia e reduzir custos. A adoção de energia solar também tem permitido o uso intensivo de equipamentos sem onerar a conta de luz.
Essas práticas fazem parte de um movimento crescente de modernização da suinocultura brasileira, que busca combinar produtividade, bem-estar animal e sustentabilidade. “Nada se desperdiça. Os dejetos viram energia ou adubo, e até mesmo os animais que morrem podem ser aproveitados em biodigestores”, diz Dalla Costa.
O inverno exige ação imediata
A principal lição para os produtores neste período é clara: antecipar-se aos desafios do frio é mais barato do que remediar seus efeitos. Estar atento às condições ambientais, ajustar a ventilação, garantir conforto térmico e observar atentamente os sinais dos animais são atitudes que fazem toda a diferença na produtividade da granja.
Como resume o especialista: “Toda variação brusca — frio, calor ou amplitude térmica — afeta a produção de proteína animal, no Brasil e no mundo. Cuidar da ambiência é, acima de tudo, uma estratégia de produtividade”.
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