A cota de captura da tainha (Mugil liza) na modalidade de emalhe anilhado atingiu 81% do limite estabelecido para a temporada de pesca de 2026, informou o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) na terça-feira (23/6). A atividade será encerrada quando alcançar 85% da cota, conforme previsto na Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026.
Para este ano, o limite total de captura da tainha no emalhe anilhado foi fixado em 1.094 toneladas. Os dados são acompanhados pelo Painel de Monitoramento da Temporada, plataforma oficial do Governo Federal que permite verificar diariamente a evolução das capturas por modalidade.
Emalhe liso tem cota ampliada
Além do alerta para o emalhe anilhado, o Governo Federal, por meio do MPA e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), anunciou a ampliação da cota de captura da tainha para a modalidade de emalhe costeiro de superfície, conhecida como emalhe liso, nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.
A medida acrescenta 324 toneladas ao limite anteriormente estabelecido, elevando a cota global do emalhe liso para 2.394 toneladas. Segundo os ministérios, a decisão foi baseada em análise técnica da safra de 2026, dados científicos atualizados, avaliação de estoque da espécie e acompanhamento da produção pelo Sistema PesqBrasil – Monitoramento.
A nova cota também contempla 88 embarcações da modalidade de emalhe anilhado, que poderão operar com emalhe liso, desde que sigam as condições, limites e instrumentos de controle previstos na norma. De acordo com a análise técnica citada pelo governo, mesmo com o aumento, a exploração permanece dentro de limites considerados sustentáveis.

Gestão busca evitar sobrepesca
O sistema de cotas para a tainha é adotado desde 2019 e tem como objetivo organizar a atividade durante a migração reprodutiva da espécie, período em que os cardumes se deslocam pelo litoral e ficam mais disponíveis para captura. A pesca da tainha tem forte importância econômica, alimentar e cultural, especialmente em comunidades costeiras do Sul e Sudeste, com destaque para Santa Catarina.
Segundo o governo, a definição dos limites considera avaliações de estoque, dados de produção, registros de captura, informações do setor e discussões com pescadores, pesquisadores, governos estaduais e representantes das diferentes modalidades de pesca. O modelo busca equilibrar a atividade artesanal e industrial, reduzir conflitos e evitar a pressão excessiva sobre o recurso pesqueiro.
Monitoramento seguirá durante a safra
O encerramento da captura ao atingir os percentuais definidos em norma faz parte do sistema de ordenamento da safra. A medida busca evitar que as cotas sejam ultrapassadas e garantir que o monitoramento tenha efeito prático sobre a conservação da espécie.
Em 2026, o limite total de captura foi ampliado em relação ao ano anterior, com aumento aproximado de 20% para todas as modalidades, segundo o governo. No caso do arrasto de praia em Santa Catarina, a cota também foi ampliada em 430 toneladas após avaliação de dados históricos de produção, relatos do setor e condições oceanográficas que influenciaram a chegada da tainha a determinadas regiões.
As capturas continuarão sendo acompanhadas pelo Sistema PesqBrasil – Monitoramento, com aplicação das regras de reporte, fiscalização, controle e encerramento previstas na regulamentação. Novas atualizações devem ser divulgadas conforme a evolução da safra.
Fonte: MPA e MMA, adaptado pela equipe Feed&Food
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