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Conbrasfran 2026 discute novas exigências da China para exportadores

Rastreabilidade, autocontroles e dados auditáveis devem ganhar importância na avaliação das empresas brasileiras que fornecem proteína animal ao país

A China está ampliando o peso da rastreabilidade, dos autocontroles e dos dados auditáveis na avaliação de fornecedores estrangeiros de proteína animal. Os possíveis efeitos dessa mudança sobre a avicultura brasileira serão discutidos na 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), marcada para 23 a 25 de novembro, em Gramado (RS).

A análise será apresentada por Maria Eduarda Blaiklock, consultora em Estratégia Internacional para o Agro Global. Segundo ela, a substituição do Decreto 248 pelo 280 representa uma mudança na forma como o mercado chinês avalia estabelecimentos exportadores, com atenção crescente aos sistemas de controle adotados ao longo da cadeia.

“O Brasil já sabe produzir com qualidade. Agora precisa transformar o que já faz em informações que possam ser verificadas e auditadas”, afirma Maria Eduarda.

Rastreabilidade ganha peso

Na avaliação da consultora, o controle deixa de se concentrar apenas no produto final ou no frigorífico e passa a considerar de maneira mais ampla os processos produtivos. Isso inclui identificar a origem dos animais, registrar práticas adotadas no campo, detectar falhas e comprovar medidas corretivas.

Participantes acompanham palestra durante a Conbrasfran, evento que reúne representantes da avicultura para debater mercado, competitividade e desafios regulatórios da cadeia. Crédito: Reprodução

Para as empresas brasileiras, o desafio será organizar informações produzidas por integrações, granjas, indústrias e sistemas de inspeção, tornando os registros acessíveis e verificáveis. A exigência pode ampliar investimentos em digitalização, padronização de dados e integração entre os diferentes elos da cadeia.

Competitividade passa pela comprovação

O presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador da conferência, José Eduardo dos Santos, avalia que a mudança amplia o conceito de competitividade no comércio internacional. “Em mercados cada vez mais regulados, não basta produzir bem: será preciso comprovar como se produz”, afirma.

A discussão ocorre enquanto a China busca reduzir sua dependência externa, diversificar fornecedores e fortalecer a produção doméstica. Nesse ambiente, a capacidade de demonstrar controles sanitários e produtivos pode influenciar a habilitação e a permanência dos exportadores no mercado.

Serviço

A 2ª Conbrasfran será realizada de 23 a 25 de novembro de 2026, no Wish Serrano Resort & Convention, localizado na Avenida das Hortênsias, 1480, no Centro de Gramado.

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