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Como São Paulo tem se protegido da IAAP

Com mais de 4 mil ações já realizadas em 2025, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) reforça a prevenção da influenza aviária no estado, ampliando o mapeamento de risco, a fiscalização e a conscientização em granjas comerciais e criações de subsistência

Por Caroline Mendes de São Paulo | caroline@dc7comunica.com.br

A influenza aviária permanece como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura brasileira — e São Paulo tem atuado de forma estratégica para evitar sua entrada e disseminação. De acordo com Paulo Blandino, médico-veterinário e gerente do Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA), a atuação da Defesa Agropecuária é baseada em quatro pilares: articulação institucional, vigilância epidemiológica, capacitação e educação sanitária, e biosseguridade.

“O objetivo central não é apenas evitar a entrada do vírus, mas principalmente impedir sua propagação. E isso só é possível com vigilância constante e envolvimento de todos os elos da cadeia produtiva”, destacou Blandino.

Estado mobilizado

Somente nos primeiros meses de 2025, o PESA realizou mais de 4 mil ações de fiscalização em granjas de frango de corte, postura comercial, reprodução, incubatórios, revendas de aves vivas e criações de subsistência. São Paulo conta com mais de 2.300 granjas de corte, 500 de postura, 200 estabelecimentos de reprodução, além de cerca de 700 revendas cadastradas — todas consideradas estratégicas para a vigilância sanitária.

A distribuição das ações leva em conta as regiões com maior concentração avícola, como Campinas, Limeira, Piracicaba e Bastos, além de áreas próximas a cursos d’água e rotas de aves migratórias.

“A influenza aviária exige vigilância constante, treinamento contínuo e uma rede de resposta rápida”, Paulo Blandino, médico-veterinário e gerente do Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA)

Educação sanitária: elo frágil da prevenção

Dados obtidos por meio de questionários padronizados aplicados em mais de mil criações revelam um grande desafio: a falta de conhecimento sobre a doença. Entre os criadores de subsistência, 52% desconhecem completamente o que é a influenza aviária e apenas 9% sabem identificar os sinais clínicos e como agir. No setor comercial, 23% demonstram preparo adequado.

“A prevenção passa por sensibilização. O vírus não respeita porte ou modelo produtivo. Uma criação de fundo de quintal mal informada pode ser o elo que rompe toda a cadeia de biosseguridade”, alertou Blandino.

A CDA vem intensificando a distribuição de materiais informativos, instalação de placas em áreas de risco e ações de orientação direta, além da exigência de que todas as granjas mantenham um plano de contingência atualizado. O descumprimento implica na suspensão do registro do estabelecimento.

Vigilância ativa: provar a ausência do vírus

Para garantir a manutenção das exportações e a confiança dos mercados, São Paulo também participa do plano nacional de vigilância ativa, com coleta de amostras em aves comerciais e de subsistência. Em 2025, já foram amostradas mais de 4.500 aves em regiões estratégicas, com base em fatores como presença de cursos d’água e rotas migratórias.

“A gente não pode apenas dizer que está livre do vírus — é preciso comprovar. Essa é a base da vigilância ativa”, explicou o gerente do PESA.

Olhar além do óbvio: o que está fora da granja importa

Blandino também chamou atenção para um ponto crítico: a importância de monitorar o ambiente ao redor das granjas. Em 2023, São Paulo registrou 54 focos de influenza aviária, a maioria envolvendo aves silvestres como os trinta-réis. Apesar das restrições à instalação de granjas comerciais em áreas litorâneas, o risco permanece por meio do contato com aves de vida livre, inclusive em regiões do interior.

“A biosseguridade interna é essencial, mas insuficiente se ignorarmos o que está fora da cerca. É preciso ampliar a vigilância para além dos muros do aviário”, destacou.

Segundo ele, práticas comuns como caminhadas em praias com aves mortas ou a presença de aves silvestres próximas às instalações podem ser rotas inadvertidas para o vírus.

Prevenção como rotina

Com o reforço de 14 médicos-veterinários atuando exclusivamente para o PESA e o apoio de 40 regionais da CDA, São Paulo busca manter um estado permanente de prontidão. A atuação coordenada com secretarias estaduais, PMPs, zoológicos e o setor privado é vista como essencial para que o estado esteja preparado para uma eventual emergência sanitária.

“A influenza aviária exige vigilância constante, treinamento contínuo e uma rede de resposta rápida. O vírus é o vilão — e só com preparo coletivo conseguimos enfrentá-lo”, concluiu Blandino.

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