Camila Santos, de Gramado (RS)
Durante o palestra “Estratégias para abertura e manutenção de mercados para avicultura da indústria e produção de ovos”, realizado na Conbrasul Ovos 2025, Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), defendeu a ampliação da presença do Brasil no mercado internacional de ovos. Segundo ele, mesmo com vários mercados já abertos, ainda é necessário intensificar o aprendizado e consolidar exportações constantes, como ocorre com a carne de frango. “Hoje temos mercado aberto que ainda não aprendemos a usar. É um desafio possível de ser vencido. Se conseguirmos ampliar, vamos também gerar empregos, como já falei no Exame de manhã”, afirma.
Ao fazer um paralelo com a trajetória da carne de frango, Santin destacou a estabilidade da exportação como um fator-chave para fidelização dos compradores e crescimento sustentável. Para os ovos, o caminho envolve garantir qualidade, manter o alto nível tecnológico e investir em biosegurança. “Nós já estamos no melhor nível. Temos condição de competir com qualquer país do mundo. Saímos de 1.997 toneladas de frango exportadas para mais de 5,3 milhões previstas para este ano, com 38,6% do market share global. Podemos fazer o mesmo com os ovos”, diz. A disponibilidade de insumos, como milho e soja, a extensão de terras cultiváveis e o clima favorável foram apontados como diferenciais estratégicos.
Santin também reforçou a importância dos sistemas de integração como modelo eficiente para padronização, rastreabilidade e escalabilidade da produção. Segundo ele, esse formato facilita o acesso a mercados exigentes, como Japão e México, e permite que pequenos produtores participem do comércio internacional por meio de parcerias. “A integração permite controle de processos, como temperatura, alimentação, bem-estar animal e biossegurança. Além disso, consórcios entre empresas podem ser uma alternativa viável para quem deseja começar a exportar com mais estabilidade e volume”, explica.

O presidente da ABPA encerrou sua fala defendendo maior presença internacional do setor, destacando iniciativas já realizadas em eventos no exterior, e a importância de ações de promoção comercial, como a participação em feiras e missões. “Na exportação, o cliente quer ver, conhecer. Não basta mandar e-mail. Tem que ir, tem que falar. Estamos construindo essa confiança. Mesmo com desafios como a Influenza Aviária, conseguimos manter os plantéis comerciais livres. Isso é fruto de um trabalho sério de biossegurança, que deve continuar sendo prioridade”, conclui.
A equipe FeedFood esteve presente no evento, acompanhando todos os destaques e tendências do setor.
LEIA TAMBÉM:
Conbrasul: Luis Rua sobre reabertura de mercados innternacionais após IAAP
Nutrição estratégica impacta na rentabilidade e na qualidade da produção de ovos
Painel discute estratégias efetivas de biosseguridade na avicultura





