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Painel discute estratégias efetivas de biosseguridade na avicultura

Durante a Conbrasul Ovos 2025, Abrahão Carvalho Martins destacou a importância da higienização correta e do monitoramento do pH da água para o controle efetivo de patógenos nas granjas

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Camila Santos, de Gramado (RS)

Durante o painel “Saúde em Foco: lições e estratégias para a avicultura”, realizado na Conbrasul Ovos 2025, o médico-veterinário Abrahão Carvalho Martins abordou os principais desafios e soluções para aprimorar a biosseguridade nas granjas. Entre os temas centrais, destacou a importância de uma abordagem integrada que considere não apenas a vacinação, mas também o manejo da água, a limpeza estrutural e a escolha correta de desinfetantes.

Martins apresentou dados experimentais que reforçam a necessidade de controle do pH da água utilizada nas propriedades. Segundo ele, mesmo com a presença de cloro em concentrações de 0,5 a 4 ppm, a água bruta com pH 9 não foi capaz de eliminar Salmonella em testes com desafios de 10⁵ unidades, mantendo cargas residuais em torno de 10⁴. A simples correção do pH para 6, sem aumento do teor de cloro, foi suficiente para elevar o potencial de oxidorredução (ORP) para a faixa de 675 a 702 mV — considerada efetiva para inibir o crescimento microbiano. “Não basta clorar a água, é essencial monitorar e ajustar o pH. Sem isso, a cloração perde eficiência”, afirma.

Outro alerta do especialista foi sobre a negligência na aplicação de água clorada em placas evaporativas, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e São Paulo, onde produtores evitam o uso por receio de danificar equipamentos. Segundo ele, a ausência de tratamento adequado nesses sistemas pode representar uma importante brecha sanitária. “Se uma água clorada pode estar contaminada, imagine uma água não clorada recirculando nas placas evaporativas”, observa.

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Abrahão Carvalho Martins abordou os principais desafios e soluções para aprimorar a biosseguridade nas granjas (Foto: FeedFood)

Em complemento, ele reforçou a importância da limpeza prévia à desinfecção. Resultados de testes conduzidos indicam que o uso de detergentes reduziu pela metade a carga microbiana antes da aplicação dos desinfetantes. “O melhor desinfetante ainda é a boa e velha limpeza com sabão”, diz, destacando que moléculas desinfetantes perdem eficácia na presença de matéria orgânica. Ele também ressalta o papel dos tensoativos presentes nos detergentes aplicados por espuma, que são capazes de atingir microfissuras em superfícies porosas, como plástico e madeira.

Encerrando sua fala, o painelista alertou para pontos frequentemente ignorados nas rotinas sanitárias, como a condição dos reservatórios de água e falhas estruturais em aviários antigos, que facilitam a entrada de vetores. “Ambiente sujo está mais propício a gerar doença. A biosseguridade começa na base: na água limpa, na estrutura conservada e na disciplina com os processos”, concluiu.

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