A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a suspensão das importações de pescado do Vietnã. O pedido foi formalizado em ofício enviado na sexta-feira dia (17) e inclui ainda a manutenção das restrições já aplicadas ao Equador.
A solicitação tem como base preocupações sanitárias relacionadas à entrada de doenças que podem impactar a produção aquícola nacional. A decisão final dependerá de análise técnica do Mapa.
Segundo a entidade, a medida é preventiva e busca proteger a cadeia produtiva brasileira diante de possíveis riscos externos.
Riscos sanitários entram no radar
Entre os principais pontos de atenção estão enfermidades identificadas em países exportadores. No Vietnã, há registros do vírus da tilápia do lago (TiLV), enquanto no Equador foi detectada a Doença da Necrose Hepatopancreática Aguda (AHPND).
Essas doenças são associadas a altas taxas de mortalidade e perdas produtivas, podendo comprometer significativamente a aquicultura em caso de introdução no Brasil.
A CNA argumenta que há lacunas na notificação desses casos à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que levanta questionamentos sobre a confiabilidade dos sistemas de vigilância sanitária.

Impacto potencial para a produção nacional
A possível entrada desses agentes patogênicos no país representa um risco direto para a cadeia produtiva, especialmente para espécies como a tilápia, uma das principais da aquicultura brasileira.
De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Aquicultura da CNA, Francisco Farina, a introdução dessas doenças poderia gerar impactos econômicos relevantes e comprometer a segurança sanitária do setor.
Além disso, a entidade aponta a ausência de planos de contingência estruturados no Brasil para lidar com esses tipos de enfermidades.
Debate envolve comércio e biosseguridade
A CNA destaca que o objetivo da solicitação não é restringir o comércio internacional, mas garantir que as importações atendam a padrões sanitários equivalentes aos exigidos dos produtores brasileiros.
O tema reforça o equilíbrio entre abertura comercial e proteção sanitária, especialmente em cadeias sensíveis como a aquicultura.
A decisão agora está sob análise do Mapa, que deverá considerar critérios técnicos e estratégicos antes de qualquer medida.
Fonte: CNA, adaptado pela equipe Feed&Food
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