Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.bt
Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura identificaram que cápsulas de alho, como as disponíveis no comércio farmacêutico, podem ser uma alternativa eficiente e segura no controle de parasitas que acometem alevinos de pirarucu (Arapaima gigas). O estudo revelou redução significativa na presença de protozoários tricodinídeos e do verme das brânquias Dawestrema cycloancistrium, sem registro de efeitos adversos nos peixes tratados.
Os testes demonstraram que a dose de 5 miligramas por litro, aplicada em banhos de quatro dias, resultou em cerca de 77% de eficácia contra tricodinídeos. Mesmo em concentrações menores (2,5 mg/L), o alho reduziu em até 43% as infestações por vermes das brânquias — índices expressivos para um composto natural. Além disso, os pesquisadores não observaram sinais de toxicidade ou mortalidade nos alevinos, reforçando o potencial da substância como ferramenta de manejo sanitário.

Segundo a pesquisadora responsável pelo trabalho, o tratamento pode ser especialmente útil em fases críticas do cultivo, como o treinamento alimentar e o transporte dos peixes, quando o estresse favorece a proliferação de parasitas. A recomendação é aplicar o produto ao primeiro sinal de anormalidade — como perda de apetite, isolamento, brânquias pálidas ou o comportamento conhecido como flashing (quando o peixe se esfrega nas superfícies do tanque).
O uso de compostos naturais como o alho tem ganhado espaço na aquicultura por reduzir a dependência de produtos químicos e promover práticas mais sustentáveis. Além de contribuir para o bem-estar animal, essa abordagem diminui riscos de contaminação ambiental e pode melhorar a qualidade final do produto destinado ao consumo humano.
Ainda que os resultados sejam promissores, a equipe da Embrapa destaca a necessidade de novos estudos para validar o uso do alho em larga escala e avaliar o custo-benefício do tratamento. A expectativa é que soluções naturais como essa ampliem as ferramentas disponíveis para a sanidade aquícola, fortalecendo o cultivo do pirarucu — espécie de grande importância econômica, social e cultural na região amazônica.




