Camila Santos, da Redação
A pecuária de corte brasileira vive um momento de retomada e expansão. Foi o que apontou a primeira prévia do Censo de Confinamento 2025, apresentada hoje, 24 de junho, pela DSM-Firmenich em coletiva de imprensa. Segundo Walter Leandro Patrizi Greff, gerente de confinamento da companhia, os números indicam que o setor caminha para um novo ciclo de prosperidade, com crescimento consistente na intenção de confinamento e melhora expressiva nos índices produtivos e econômicos. “Estamos entrando em uma verdadeira primavera do ciclo pecuário. Os dados mostram um ambiente de confiança, com margens mais saudáveis e retomada de investimentos”, afirma.
De acordo com o levantamento, realizado com mais de 800 respondentes que representam 100% dos municípios com presença de confinamentos, a intenção de confinamento em 2025 é de 8,53 milhões de cabeças, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior. O estudo mapeou cerca de 2 mil propriedades distribuídas por mil municípios brasileiros. “Desde 2017, a média de crescimento tem sido de 8% ao ano, o que demonstra uma tendência sólida de expansão da atividade”, destaca Walter .
O crescimento, porém, não ocorre de forma homogênea. O Mato Grosso, líder nacional em confinamento, deve atingir a marca de 2,1 milhões de cabeças em 2025, ampliando sua liderança no setor. “É um estado que continua puxando o crescimento com muita força. Nenhuma outra unidade federativa apresenta uma expansão tão expressiva quanto a dele”, disse o porta-voz. Além do Centro-Oeste, Minas Gerais e São Paulo seguem como protagonistas, concentrando 74% do rebanho confinado. Regiões como Norte e Nordeste começam a despontar, com crescimentos acima de 10%.

A consolidação do setor também se evidencia no perfil dos confinamentos. Enquanto operações de menor porte tendem à estabilidade ou retração, os grandes confinadores seguem em expansão. “Os confinamentos com mais de 10 mil cabeças têm crescido ano após ano. Hoje, os 100 maiores já concentram 48% de todo o volume confinado no Brasil, mostrando um efeito claro de consolidação e profissionalização do segmento”, ressalta.
Outro dado relevante foi a retomada da terceirização, o chamado boitel, que havia perdido força nos últimos dois anos em razão das margens apertadas. Com a melhora nas relações de troca — boi magro e milho em níveis mais acessíveis, e boi gordo com tendência de valorização —, o modelo volta a se fortalecer. “Esse tipo de operação é um termômetro da confiança. O produtor só terceiriza quando acredita na rentabilidade da engorda”, analisa o gerente .

Além dos indicadores econômicos, o levantamento também trouxe insights sobre a eficiência produtiva e o uso de tecnologias. Dados de benchmarking, com base em 1,39 milhão de cabeças, apontam que confinamentos que adotam tecnologias nutricionais e digitais tiveram lucros de 40% a 100% superiores aos que não as utilizam. “Estamos falando de otimização de consumo, maior ganho de carcaça e menor desperdício. Isso é resultado direto do investimento em inovação”, pontua Walter .
Para fechar, o porta-voz destacou os avanços em saúde e bem-estar animal. A taxa de mortalidade em confinamentos tecnificados está em 0,17%, com queda também nos casos de refúgio de coxo. “Animais mais saudáveis performam melhor. Isso é reflexo de uma nutrição de precisão, que fortalece o sistema imune e reduz perdas. O confinamento moderno é mais eficiente, mais rentável e mais sustentável.”
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