Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O dia 24 de junho é reconhecido globalmente como o Dia Internacional do Leite, uma data que ressalta a relevância desse alimento fundamental para a nutrição humana. Rico em proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas, especialmente o cálcio, o leite desempenha um papel crucial na saúde e no desenvolvimento, sendo um pilar da alimentação em diversas culturas.
No cenário brasileiro, o setor lácteo demonstra dinamismo e resiliência. O país mantém sua posição de destaque como o terceiro maior produtor mundial de leite, com uma produção anual que ultrapassa os 34 bilhões de litros. O ano de 2024 foi particularmente positivo, com a produção de leite inspecionada registrando um crescimento de 3,1%, consolidando o segundo ano consecutivo de expansão. As projeções indicam um avanço de 1,6% no volume total produzido em comparação com 2023.
Minas Gerais continua a liderar a produção nacional, contribuindo com cerca de 27% do total, seguido por estados como Paraná (14,9%), Rio Grande do Sul (13%), Goiás (11,4%) e São Paulo (8,9%). A produtividade média do rebanho brasileiro tem mostrado uma evolução notável, impulsionada por investimentos em tecnologia e manejo. Embora a média nacional seja de 2.280 litros por vaca, algumas regiões já alcançam níveis de eficiência comparáveis a países com tradição na pecuária leiteira.

Consumo e Desafios
Apesar do robusto volume de produção, o consumo per capita de leite no Brasil enfrenta desafios. Em 2023, houve uma retração, com o consumo anual caindo de 170,3 litros para 163 litros por habitante. Esse declínio é atribuído, em parte, ao aumento nos preços dos produtos lácteos, que impactaram o poder de compra das famílias.
Em resposta, o governo brasileiro tem implementado estratégias para estimular tanto a produção quanto o consumo de leite e derivados, com foco especial na agricultura familiar. Iniciativas como a publicação de portarias interministeriais e o fortalecimento de programas de compras públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), visam garantir o escoamento da produção e o acesso da população ao alimento. Além disso, campanhas de comunicação estão sendo planejadas para incentivar o consumo.
A demanda por lácteos no mercado interno, apesar das flutuações, permanece aquecida, impulsionada pela recuperação da renda e pelos indicadores de emprego. Contudo, o setor ainda lida com desafios significativos. As importações de leite, especialmente da Argentina, continuam elevadas, gerando pressão sobre os produtores nacionais. Os custos de produção e a concorrência com o produto importado são preocupações constantes. Fatores climáticos, como as recentes inundações no Rio Grande do Sul e períodos de seca em outras regiões, também impactaram a produção em 2024.
Para 2025, as expectativas são de que os preços ao produtor se mantenham firmes no primeiro semestre, refletindo a demanda interna. No entanto, uma possível queda no segundo semestre é prevista, em função do estímulo à produção que pode levar a um aumento da oferta.
Mesmo diante de um cenário complexo, o setor lácteo brasileiro demonstra sua capacidade de adaptação e crescimento, reafirmando a importância do leite na mesa dos brasileiros e na economia do país.
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