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Presidente da ABRA, Pedro Bittar explica por que a entidade defende o fim da exigência de esterilização das farinhas

Presidente da ABRA, Pedro Bittar explica por que a entidade defende o fim da exigência de esterilização das farinhas e revela os impactos econômicos e operacionais da medida para o setor
Por Felipe Machado
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A exigência de esterilização das farinhas pode estar com os dias contados. Após quase duas décadas de investimentos pesados e negociações complexas com o Ministério da Agricultura, o setor de reciclagem animal aguarda a efetivação de uma decisão que promete encerrar de vez essa exigência – cuja motivação foi mais política e comercial do que científica, segundo a ABRA. Em entrevista à Feed & Food, o presidente da entidade, Pedro Bittar, relembra a origem da norma, detalha o movimento pelo fim da obrigatoriedade e aponta os desafios enfrentados pelas indústrias enquanto a decisão não é implementada.

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Feed & Food – Por que a ABRA lançou a campanha pela não esterilização das farinhas?

Pedro Bittar – A ABRA nasceu justamente por conta da exigência de esterilização. Isso foi há quase 19 anos. O Ministério da Agricultura, pressionado pela OIE, queria impedir a produção de farinha e gordura animal no Brasil. Foi uma resposta àquela época da febre aftosa, e a alegação era que não se podia fazer farinha para ruminantes. Mas a OIE não falava em esterilização. Aí o Ministério disse: “Só libera se tiver esterilização”. A gente sabia que era tecnicamente desnecessário. Não existe nenhuma recomendação científica da OIE nesse sentido. Mas o Brasil cedeu porque precisava vender, precisava ter credibilidade, precisava mostrar que fazia diferente. A gente aceitou com um acordo: “Tudo bem, nós vamos fazer a esterilização, mas temos que ter prazo”. O setor não tinha equipamento, o custo era altíssimo. Nós negociamos com o ministro, com governadores, deputados, senadores, com todo mundo envolvido, e conseguimos um prazo para a adaptação.

FF – E quanto tempo levou esse processo de adaptação?

PB – Isso foi acontecendo ao longo do tempo. A ABRA cresceu, ganhou força. Mas hoje a OIE já não exige mais esterilização, porque a farinha já passa por um processo térmico que garante segurança. Mesmo assim, o Brasil ainda não retirou a exigência, mesmo tendo decidido por isso. O MAPA já bateu o martelo. O problema é que a decisão não foi colocada em prática. E a cada dia que passa, alguma indústria está tendo que fazer um investimento que não vai mais ser necessário. Então essa decisão precisa ser colocada em prática já.

FF – A exigência de esterilização foi uma demanda sanitária ou de mercado?

PB – Totalmente de mercado. Não teve nenhuma base técnica. Foi pressão para que o Brasil fosse mais restritivo, mais rigoroso, e assim abrisse mercado. Tanto que outros países também tiveram que se adaptar, e hoje já voltaram atrás. A questão é: não dá mais para empurrar isso com a barriga. Tem gente comprando equipamento hoje para atender a uma regra que não vai mais existir.

Clique aqui e leia a reportagem “Fim da esterilização: um marco para a reciclagem animal”, na íntegra e sem custo, acessando a página 10 da edição de Junho (nº 218) da Revista Feed&Food

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