A combinação entre bem-estar animal, biosseguridade, gestão de pessoas e eficiência produtiva tem sido um dos pilares do crescimento da Fazenda Speranza, produtora de ovos localizada em São Sebastião do Oeste (MG). A empresa, que integra a Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) desde março deste ano, registra mortalidade cerca de 5% inferior à observada em granjas convencionais de porte semelhante.
Criada em 2021, a Fazenda Speranza passou de 3,5 mil para aproximadamente 120 mil aves alojadas em cinco anos, crescimento superior a 3.300%. Atualmente, a produção chega a 80 mil ovos por dia, destinados principalmente aos mercados de Minas Gerais e São Paulo.
Segundo o proprietário, Guilherme Baruffi, o desempenho é resultado de uma estratégia adotada desde o início do projeto. A propriedade utiliza o sistema livre de gaiolas e prioriza condições de ambiente que permitam às aves expressar comportamentos naturais. “Nosso propósito é produzir alimento saudável de forma sustentável. O nível alto de bem-estar animal surgiu naturalmente como consequência desse propósito”, afirma.
Ambiente influencia desempenho
Os aviários da Speranza trabalham com densidade de até oito aves por metro quadrado, além de estruturas de enriquecimento ambiental e grande quantidade de poleiros. A propriedade também utiliza climatização por pressão negativa para manter condições adequadas de temperatura mesmo nos períodos mais quentes.
Na avaliação de Baruffi, a redução do estresse contribui diretamente para o desempenho dos lotes. Segundo ele, aves em melhores condições apresentam menor ocorrência de problemas sanitários e conseguem manter a produtividade por períodos mais longos.
Os resultados, de acordo com a empresa, aparecem nos indicadores zootécnicos. Uma das linhagens atualmente utilizadas apresentou produtividade superior a 90% em uma idade na qual o manual genético previa desempenho abaixo de 80%. Mesmo após as aves ultrapassarem 100 semanas de idade, o lote continuava apresentando índices considerados positivos pela empresa.
A Speranza também não realiza debicagem mecânica. Após testar diferentes linhagens, a empresa optou por aves com comportamento mais calmo. A recria é feita internamente, e a vacinação ocorre durante a transferência das aves para a fase de produção, aproveitando um manejo que já seria necessário. “O principal indicador de que as nossas práticas de cuidado funcionam é a curva de produção. Nossas aves produzem mais e por mais tempo do que o esperado”, afirma Baruffi.

Biosseguridade reduz pressão sanitária
Outro foco da operação é a prevenção sanitária. A Fazenda Speranza trabalha com produção sem uso de antibióticos durante a fase produtiva e mantém protocolos rígidos de biosseguridade.
Veículos que entram na propriedade passam por desinfecção, enquanto os colaboradores seguem procedimentos específicos de higiene, incluindo troca de roupas e utilização de calçados destinados a cada aviário.
A propriedade conta ainda com equipe veterinária própria e laboratório interno para monitoramento dos lotes. A cama das aves é analisada regularmente e, segundo a empresa, os níveis de patógenos permanecem baixos mesmo em uma região considerada de elevado risco sanitário.
A produção própria de ração também permite maior controle sobre os insumos utilizados na alimentação das aves.
Pessoas como parte da estratégia produtiva
A gestão de pessoas é outro componente da estratégia da fazenda. Com aproximadamente 25 funcionários, sendo 15 diretamente envolvidos na produção, a empresa busca manter uma relação próxima com a equipe.
Segundo Baruffi, o baixo índice de rotatividade contribui para a manutenção dos padrões de manejo e para a continuidade dos processos. Alguns colaboradores acompanham a operação desde a implantação da Fazenda Speranza. “O cuidado com as nossas pessoas contribui para um melhor cuidado com os nossos animais. É uma situação em que todos saem ganhando”, destaca.
Crescimento baseado em qualidade
A expansão da produção tem sido acompanhada pela busca por qualidade e frescor dos ovos. A empresa trabalha para reduzir o intervalo entre a postura e a chegada do produto ao consumidor, com distribuição geralmente realizada poucos dias após a produção.
Para Baruffi, a experiência da Fazenda Speranza indica que bem-estar animal, sustentabilidade e eficiência econômica podem ser trabalhados de forma integrada.
A participação na COBEA também faz parte dessa estratégia, ampliando o envolvimento da empresa nas discussões sobre boas práticas de produção e bem-estar na avicultura de postura. “Durante muito tempo se acreditou que o bem-estar animal aumentava custos sem gerar retorno. Nossa experiência mostra justamente o contrário. Quando o animal está bem, as pessoas estão engajadas e os processos são bem executados, todos os indicadores melhoram”, conclui.



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