Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A Associação Brasileira da Indústria de Pescados (ABIPESCA) participou, nesta quarta-feira (3), da audiência pública da Seção 301, realizada pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington. A entidade representou o setor de pescados brasileiro diante da possibilidade de imposição de tarifas adicionais sobre produtos nacionais.
Responsável por cerca de 70% do mercado formal de frutos do mar no Brasil e por 90% das exportações do setor, a ABIPESCA ressaltou que a investigação norte-americana não tem qualquer relação com os pescados brasileiros. Por isso, defendeu que a isenção tarifária já aplicada a outros produtos seja estendida também aos frutos do mar exportados pelo Brasil.
Segundo o diretor executivo da entidade, Jairo Gund, a medida traria prejuízos diretos aos consumidores dos EUA. “O aumento das tarifas elevará os preços para os consumidores americanos, que passarão a ter acesso apenas a alternativas de qualidade inferior. O Brasil fornece pescados produzidos em sistemas altamente tecnológicos, atendendo aos rígidos requisitos sanitários e comerciais exigidos pelos Estados Unidos”, afirmou.
Entre os produtos que podem ser afetados estão tilápia, lagosta, pargo, atum e corvina — todos com participação crescente no mercado americano. Em 2024, o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de pescados aos EUA, volume 30% superior ao registrado no ano anterior. A tilápia respondeu por mais de 40% desse avanço, consolidando o país como segundo maior fornecedor de filés frescos da espécie ao mercado norte-americano.

A ABIPESCA também destacou as vantagens que o comércio com o Brasil proporciona aos Estados Unidos, como geração de empregos, preços mais competitivos ao consumidor, segurança alimentar e confiabilidade da cadeia de suprimentos.
No campo ambiental, a entidade reforçou que o Brasil possui uma das legislações mais rígidas do mundo, com políticas de gestão pesqueira, cotas de captura, áreas de exclusão e monitoramento contra a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN).
Para a ABIPESCA, a adoção de tarifas sobre pescados brasileiros enfraqueceria o comércio bilateral e penalizaria diretamente o consumidor americano. A associação defende a exclusão dos frutos do mar do Brasil da investigação da Seção 301 e de quaisquer medidas punitivas.
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