A pecuária de corte brasileira encerra dois mil e vinte e cinco em um dos cenários mais favoráveis dos últimos anos, impulsionada pela demanda interna aquecida e pelas exportações recordes. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços compilados pela Abiec, somente em outubro os embarques de carne bovina somaram 357 mil toneladas, o maior volume mensal da série histórica. No acumulado de janeiro a outubro, foram 2,79 milhões de toneladas, que geraram US$ 14,31 bilhões em receita.
Com a arroba acima de R$ 300 em diversas praças, o pecuarista encontra espaço para investir na base produtiva, especialmente nas pastagens. Para Thiago Feitosa, engenheiro agrônomo da Sementes Oeste Paulista (SOESP), o momento favorece a recuperação de áreas degradadas, a adoção de tecnologias sustentáveis e a intensificação dos sistemas de produção. “Com margens mais confortáveis, cresce o interesse por renovar áreas, estruturar o sistema e adotar práticas de maior retorno. O cenário representa oportunidade clara de avanço”, afirma.

Segundo o especialista, a valorização da arroba melhora os indicadores de retorno e reduz riscos, estimulando investimentos que contribuam para elevar produtividade e eficiência. Dados da Embrapa mostram que o Brasil possui cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas, com rendimentos que, em regiões críticas, chegam a apenas 150 kg de peso vivo por hectare ao ano número que pode dobrar ou triplicar com manejo adequado. A decisão entre recuperar ou reformar a área deve considerar fatores como banco de forragem, solo descoberto, compactação e presença de plantas daninhas.
Os benefícios econômicos se somam aos ambientais. A recuperação de pastagens reduz custos, aumenta o ganho por hectare e encurta o ciclo de terminação, enquanto sistemas integrados, como ILP e ILPF, trazem ganhos em fertilidade, estrutura do solo e mitigação de gases de efeito estufa. “A perspectiva é positiva, especialmente porque estamos no início do período chuvoso para grande parte do país. Cerca de sessenta por cento das pastagens apresentam algum grau de degradação, o que reforça a urgência dos investimentos”, diz Feitosa.
Programas como o Plano ABC+ fortalecem o avanço das práticas sustentáveis ao oferecer linhas de crédito específicas para recuperação de pastagens. Para consultorias especializadas, a tendência é de preços firmes no curto e médio prazo, o que coloca o produtor que antecipa reformas em posição estratégica. A engenheira agrônoma Érica Franconere, doutora em Zootecnia e responsável por marketing e planejamento da SOESP, ressalta que o pasto segue como base da pecuária nacional. “O pasto é o alimento mais barato e, por isso, oitenta por cento do rebanho brasileiro é terminado dessa forma. Investir em pastagens é garantir eficiência, sustentabilidade e melhor resultado para o produtor”, destaca.
FONTE: Sementes Oeste Paulista (SOESP), adaptado pela equipe Feed&Food
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