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Como o Brasil pode liderar com transparência o mercado de crédito de carbono

Transparência, governança e rigor técnico definem o caminho do Brasil para liderar o mercado global de créditos de carbono

COP30,mercado de carbono,transparência ambiental

O mercado de crédito de carbono voltou ao centro das discussões globais, impulsionado pela aproximação da COP30 no Brasil e pela necessidade de cumprir a Meta 15 do Marco Global da Biodiversidade, que exige ampliar recursos privados para conservação. O país reúne vantagens quase únicas, cerca de 500 milhões de hectares de florestas nativas, uma das maiores reservas de carbono do mundo e uma matriz energética mais de 80% renovável, segundo o Governo Federal. Essa combinação alimenta a expectativa de que o país lidere a oferta de créditos de alta integridade. No entanto, o potencial ainda está distante de se traduzir em resultados consistentes.

Quem explica essa questão é José Renato da Costa Alberto, fundador e CEO da SpotSat. De acordo com ele, o desenvolvimento de projetos de carbono é frequentemente apresentado como alternativa para transformar conservação em renda. Na prática, exige regras claras, metodologias robustas e rigor científico. “O Banco Mundial estimou que o mercado voluntário movimentou mais de US$ 2 bilhões em 2023 e deve crescer rapidamente até o fim da década. A pressão internacional aumenta, sobretudo após denúncias sobre créditos inflados, que acenderam o alerta sobre governança, rastreabilidade e transparência. Para o Brasil, que busca protagonismo na COP30, entregar confiabilidade é condição indispensável”, afirma.

A etapa inicial de qualquer projeto, ele aponta, depende do enquadramento metodológico. “Protocolos como VERRA, principal certificadora global responsável por padrões rigorosos de verificação, Gold Standard, padrão que certifica projetos com benefícios sociais e ambientais adicionais, e ART, metodologia voltada especificamente para projetos de REDD+ com foco em evitar desmatamento, variam em critérios de adicionalidade, monitoramento e validação. O desconhecimento dessas exigências, especialmente entre pequenos produtores, cria uma barreira técnica expressiva. Muitos ainda acreditam que preservar a floresta basta para gerar créditos, mas o processo envolve auditorias independentes, medições de biomassa e monitoramento contínuo por sensoriamento remoto. Sem essa compreensão, crescem as assimetrias e o risco de promessas irreais”, diz.

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José Renato da Costa Alberto, fundador e CEO da SpotSat. (Foto: Divulgação)

Outro desafio destacado por José Renato da Costa Alberto está na escolha das modalidades, como REDD+, mecanismo que evita emissões ao prevenir desmatamento e degradação florestal, reflorestamento ou sistemas agroflorestais. “Cada uma implica custos e ciclos longos de implementação. A falta de clareza sobre riscos e responsabilidades fragiliza a relação entre produtores e operadores e compromete a credibilidade do setor. Esse problema se intensifica no momento em que governos e investidores reforçam salvaguardas socioambientais exigidas pela Meta 15”, explica.

Ferramentas baseadas em dados geoespaciais começam a reduzir essas barreiras, de acordo com ele. “Plataformas que utilizam imagens de satélite e inteligência geográfica estimam o estoque de carbono, verificam conformidade ambiental e permitem análises prévias do potencial de geração de créditos. Isso introduz transparência, padroniza expectativas e aproxima produtores, investidores e certificadoras de um mesmo referencial técnico, condição essencial para elevar a integridade dos projetos”, detalha. “O crédito de carbono é um instrumento valioso para conectar conservação e economia, mas só se tornará um mercado sólido se o Brasil investir em ciência, governança e educação técnica no campo. O país tem potencial extraordinário, mas ele não se converte automaticamente em liderança. Com a COP30 e a Meta 15 pressionando por resultados concretos, o Brasil precisa mostrar que é capaz de transformar vantagem natural em credibilidade climática”, afirma José Renato.

Por: Giovana de Paula

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