Camila Santos, de Maringá (PR)
Durante o 11º Encontro Avícola e Empresarial Unifrango, realizado em Maringá (PR), a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Juliana Satie, apresentou um panorama robusto das transformações em curso no sistema oficial de inspeção, com ênfase na avicultura.
Com mais de duas décadas dedicadas à pasta, Satie destacou que o Dipoa está passando por um momento de reestruturação, guiado por diretrizes modernas, baseadas em riscos, dados e digitalização. “Trabalhamos com base em dados e buscamos aprimorar continuamente os processos para dar respostas mais rápidas e eficientes às empresas e aos mercados internacionais”, afirma.
Segundo a diretora, a estrutura do serviço oficial vem sendo aprimorada para responder a um ambiente cada vez mais dinâmico, com novos requisitos sanitários, transformações tecnológicas e crescente demanda por exportação. “Temos que olhar dez anos à frente. Nosso país é protagonista mundial na produção e exportação de proteína animal, e o sistema de inspeção precisa acompanhar esse ritmo com eficiência e credibilidade”, reforça.
Durante a palestra na Unifrango, a especialista contextualizou os avanços conquistados nos últimos dez anos, entre eles, a transição de um modelo centrado por espécie para um modelo orientado por processos, a implementação de inspeção baseada em risco, a verticalização do departamento e a criação de núcleos de padronização e regionalização.

Juliana Satie também destacou a importância da transformação digital, com a integração de sistemas e a criação de áreas específicas para acelerar e padronizar processos de habilitação e certificação sanitária. “A DSERT, criada recentemente, já promove ganhos expressivos de agilidade e consistência nos trâmites”, explica durante sua palestra no Encontro Unig=frango.
Outro ponto relevante da apresentação foi o papel dos dados. “Temos uma infinidade de informações que precisam ser tratadas e interpretadas. Assim como nas empresas, estamos trazendo a inteligência de dados para a gestão pública, o que permite decisões mais assertivas e direcionadas às reais necessidades do setor”, diz.
A diretora reforçou ainda que o serviço oficial precisa estar em sintonia com as demandas do setor produtivo. “As empresas não pedem um registro apenas por obrigação, mas porque querem exportar. E exportar significa estar habilitado todos os dias, com confiança e celeridade”, pontua Juliana destacando que a nova estrutura do Dipoa busca reduzir sobreposição de funções, eliminar gargalos e dar fluidez aos processos internos.
A harmonização regulatória também entrou em pauta, especialmente diante da regulamentação da nova Lei do Autocontrole. “Estamos resgatando o papel estratégico do departamento na construção de normativas infralegais e na consolidação de um modelo mais moderno e baseado em confiança”, destacou Juliana.

A diretora relembrou que os conceitos de autocontrole não são novidade na inspeção de produtos de origem animal. “Desde 2005, avançamos muito nesse campo. Hoje, o desafio é consolidar esse modelo com maturidade, organização e foco em resultados. E isso só é possível com um serviço público forte e empresas comprometidas”.
Ao concluir sua participação, Juliana Satie reforçou que os resultados práticos das mudanças no Dipoa devem ser percebidos diretamente nas plantas industriais. “Eu preferi não trazer dados específicos, porque acredito que o melhor termômetro é o que cada planta está vivenciando. Assim como ocorreu em experiências anteriores é essencial que vocês nos deem o feedback local dos impactos positivos já sentidos nos últimos meses”, destaca.
A diretora frisou que o departamento seguirá avançando tecnicamente para eliminar gargalos, reduzir desperdícios e promover eficiência. Nesse sentido, enfatizou a importância de sistemas compostos, articulados com dados, legislação e digitalização — pilares que sustentam projetos como a SDA Digital e a implementação do Insert, sistema que eliminará gastos com papel especial em certificações voltadas à exportação, como no caso da China. “Estamos pensando dez anos à frente. É com esse olhar que estruturamos nossa atuação, sempre com base técnica, diálogo, inteligência regulatória, ética e responsabilidade. Já vemos resultados concretos, e o compromisso da equipe é o que tem nos permitido avançar com foco, agilidade e previsibilidade”, conclui.
A Feed&Food segue acompanhando, diretamente de Maringá, os debates do Encontro Unifrango, que reúne especialistas, lideranças e profissionais da cadeia avícola para discutir os rumos do setor.
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