Camila Santos de Maringá (PR)
Caroline Mendes da Redação
A avicultura do Paraná segue em alerta e em constante adaptação diante do cenário desafiador provocado pela confirmação dos primeiros casos de influenza aviária em aves comerciais no Brasil. Durante o 11º Encontro Empresarial da Unifrango, realizado em Maringá (PR), o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Roberto Kaefer, comentou sobre o impacto da doença no setor e as estratégias adotadas para manter o equilíbrio entre produção e exportações.
Segundo Kaefer, o país ganhou dois anos de preparo entre o primeiro caso da gripe aviária em aves silvestres, registrado em maio de 2023 no Espírito Santo, até a confirmação em aves comerciais. Esse intervalo foi crucial para que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), firmasse acordos bilaterais com diversos países, estabelecendo protocolos de regionalização em caso de surtos.
“Hoje, graças a esses acordos, muitos países optam por fechar apenas o estado afetado, e não o país inteiro, o que nos permitiu continuar exportando para mais de 120 mercados. Se esse cenário tivesse ocorrido dois anos atrás, estaríamos completamente bloqueados”, afirmou o dirigente.

No entanto, grandes parceiros comerciais como China e União Europeia ainda não restabeleceram as habilitações para a carne de frango brasileira, o que representa um impacto expressivo nas exportações. “São mais de cem mil toneladas que deixamos de exportar. Precisamos reaver esses dois mercados o mais rápido possível para retomar o equilíbrio entre produção e demanda”, pontuou.
Enquanto isso, Kaefer destacou que entidades como Sindiavipar e ABPA estão atuando para adequar os volumes de produção, em consonância com a redução nas exportações. Um dos principais mecanismos tem sido o acordo para diminuição no alojamento de aves, evitando a superoferta e dificuldades no armazenamento do produto.
Além dos desafios sanitários e mercadológicos, o presidente do Sindiavipar também ressaltou a relevância da Unifrango para o fortalecimento do setor avícola paranaense. Acionista da Globoaves, empresa integrante do grupo, ele elogiou a estrutura da cooperativa, que centraliza compras, otimiza a logística e contribui para a competitividade das empresas associadas.
“A Unifrango tem um papel fundamental, não apenas na redução de custos com compras em bloco, mas também no suporte logístico e na modernização do setor. Eventos como este são fundamentais para nos atualizarmos tecnicamente, pois a avicultura é dinâmica e exige constante atualização”, finalizou.
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