A escalada do conflito envolvendo o Irã tem acendido um alerta no mercado global de carne bovina e pode trazer impactos diretos para o Brasil, principal exportador mundial do produto. A instabilidade na região gera incertezas sobre rotas comerciais, custos logísticos e a continuidade das compras por países do Oriente Médio.
Atualmente, a região responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, foram aproximadamente 250 mil toneladas embarcadas, com o Irã entre os principais destinos. O cenário de conflito aumenta o risco de interrupções comerciais e pressiona exportadores a reavaliar estratégias.
Um dos principais pontos de atenção está na logística marítima. Tensões na região podem afetar rotas de transporte, elevar custos de frete e seguros de carga, além de impactar a previsibilidade das operações. Isso pode reduzir a competitividade da carne brasileira nesses mercados no curto prazo.
Além disso, a instabilidade econômica dos países importadores também entra no radar. Dificuldades financeiras ou restrições comerciais podem levar à redução ou atraso nas compras, alterando o fluxo de exportações.

No mercado interno, os efeitos ainda são acompanhados com cautela. Caso haja retração nas exportações, pode ocorrer ajuste na demanda por parte dos frigoríficos, o que tende a influenciar os preços do boi gordo.
Por outro lado, o cenário também pode abrir espaço para redirecionamento das exportações a outros mercados. A diversificação de destinos pode ajudar a mitigar perdas e manter o volume embarcado, embora com possíveis ajustes de preço.
A relação entre geopolítica e mercado de proteínas tem se tornado cada vez mais relevante, especialmente em um cenário global de incertezas. Conflitos internacionais, variações cambiais e questões logísticas vêm influenciando diretamente o desempenho das exportações brasileiras.
O tema deve ser discutido durante o Simpósio Nutripura, realizado nos dias 20 e 21 de março, em Cuiabá (MT), onde especialistas irão analisar os possíveis desdobramentos do cenário internacional para a pecuária brasileira.
Fonte: Simpósio Nutripura, adaptado pela equipe Feed&Food
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