A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) segue como um dos principais desafios fitossanitários da cultura no Brasil, com impacto direto sobre a produtividade. Segundo a Embrapa, a presença de apenas dez insetos por planta já é suficiente para comprometer seriamente o desempenho da lavoura, em razão do enfezamento transmitido pela praga, que prejudica a absorção de nutrientes.
O problema é agravado pelo fato de que a cigarrinha pode transmitir a doença em qualquer fase do desenvolvimento da planta. Além disso, um único inseto infectado é capaz de contaminar mais de uma planta, o que amplia rapidamente o impacto dentro da área cultivada.
De acordo com a Biotrop, fatores climáticos têm contribuído para o aumento da pressão da praga, especialmente na segunda safra, período marcado por temperaturas elevadas e maior volume de chuvas. A ocorrência do fenômeno La Niña também é apontada como elemento que intensifica o desafio no campo.
Outro ponto de atenção é a velocidade de multiplicação do inseto. O ciclo de vida da cigarrinha, que era de cerca de 22 dias, passou para aproximadamente 15 dias, o que acelera as infestações. Soma-se a isso o uso repetido de defensivos químicos, que, segundo a empresa, favoreceu a seleção de populações resistentes a diferentes moléculas.

Diante desse cenário, a recomendação é a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando estratégias químicas, biológicas, varietais e culturais. A proposta é aproveitar os pontos fortes de cada tecnologia e reduzir a pressão sobre produtos de um único grupo de controle.
Nesse contexto, o controle biológico vem ganhando espaço por apresentar múltiplos modos de ação e, com isso, menor risco de desenvolvimento de resistência. A Biotrop destaca que bioinsumos podem atuar tanto por contato quanto por ingestão, ampliando a eficácia sobre o inseto-alvo.
Entre as soluções citadas pela empresa está o bioinseticida Biokato®, formulado a partir das bactérias Pseudomonas fluorescens e Pseudomonas chlororaphis. Segundo a Biotrop, o produto atua por contaminação quando o inseto entra em contato com as folhas tratadas e também quando ingere os compostos ao se alimentar da planta, levando à paralisação e, posteriormente, à morte da praga.
Para a empresa, a utilização de tecnologias biológicas dentro de um programa de manejo integrado contribui para preservar a eficiência das ferramentas de controle, reduzir perdas produtivas e melhorar a sanidade da lavoura ao longo das safras.
Fonte: Biotrop, adaptado pela equipe Feed&Food
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