Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começaram a valer em 7 de agosto, aumentando a tensão no cenário econômico e pressionando setores específicos de exportação. Segundo relatório do Rabobank, a medida — que inclui uma tarifa de 50% para alguns itens — deve impactar o comércio exterior e a trajetória da inflação no Brasil, embora os efeitos finais ainda dependam do andamento das negociações bilaterais.
Na avaliação do banco, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por interromper o ciclo de alta da Selic, mantendo a taxa em 15% ao ano, com uma política contracionista prolongada para garantir a convergência da inflação à meta. O Banco Central ressaltou que, caso necessário, pode retomar os ajustes. A projeção do Rabobank é de que os cortes na taxa básica comecem apenas no segundo trimestre de 2026, alcançando 12,50% em outubro do mesmo ano.

Os dados de julho mostram que as exportações cresceram 4,8% na comparação anual, somando US$ 32,3 bilhões, enquanto as importações avançaram 8,4%, para US$ 25,2 bilhões. O saldo comercial foi de US$ 7,1 bilhões, acumulando US$ 37 bilhões no ano. Antes do impacto pleno das tarifas, setores como carne bovina (+46,9%), aeronaves (+168,9%) e café (+25,4%) impulsionaram as vendas externas.
No câmbio, o real se valorizou 1,94% frente ao dólar na última semana, encerrando a sexta-feira (8) a R$ 5,4346 — o terceiro melhor desempenho entre 24 moedas emergentes. Ainda assim, o Rabobank projeta a moeda americana a R$ 5,75 no fechamento de 2025, refletindo incertezas globais e locais.
Para 2025, o banco prevê crescimento do PIB brasileiro de 2,0%, inflação de 5,1% e saldo comercial de US$ 70 bilhões, em um cenário de desaceleração econômica e preços de commodities mais baixos.
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