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Safrinha recorde pressiona preços do milho, enquanto soja mantém leve alta no acumulado do ano

Rabobank aponta oferta abundante e exportações moderadas no primeiro semestre de 2025, com destaque para clima favorável e competitividade internacional
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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O mais recente boletim mensal de grãos e oleaginosas do Rabobank revela que o cenário brasileiro para milho e soja em 2025 é marcado por forte produção, preços pressionados e um ritmo de exportações que, embora robusto, apresenta sinais de desaceleração em alguns momentos do ano.

Segundo o relatório, os preços médios pagos ao produtor de soja em julho ficaram 2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. Apesar disso, o acumulado de janeiro a julho mostra alta média de 2% em relação a 2024, sustentada por uma combinação de demanda externa consistente e câmbio relativamente favorável no início do ano. Nas principais praças, como Sorriso (MT), Rio Verde (GO) e Oeste do Paraná, as cotações oscilaram entre BRL 120 e BRL 130 por saca de 60 kg ao longo do mês.

Para o milho, a pressão foi mais intensa. O preço médio na fazenda caiu 4% em julho ante junho, reflexo direto da colheita recorde da segunda safra e do avanço acelerado da colheita. Nas mesmas regiões de referência, o milho variou entre BRL 50 e BRL 60 por saca, com tendência de estabilidade ou leve queda nas próximas semanas.

No comércio exterior, as exportações de soja somaram 13,4 milhões de toneladas em junho, um recuo de 5% frente a maio e 4% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Ainda assim, o acumulado de 2025 já atinge 64,9 milhões de toneladas, superando em 1% o volume embarcado no mesmo período de 2024. O banco destaca que, mesmo com uma safra recorde no Brasil e tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o crescimento das vendas externas foi modesto nos primeiros meses do ano.

soja
No comércio exterior, as exportações de soja somaram 13,4 milhões de toneladas em junho, um recuo de 5% frente a maio e 4% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Já o milho teve comportamento atípico: após meses de embarques contidos, as exportações dispararam 849% em junho em relação a maio, totalizando 0,37 milhão de toneladas. O salto é explicado pela entrada mais intensa do milho safrinha no mercado. Porém, no acumulado de 2025, o país ainda exportou 6,5 milhões de toneladas, 22% menos que no mesmo intervalo de 2024.

O Rabobank ressalta que o clima favorável foi determinante para o bom desempenho produtivo. As principais regiões de segunda safra — incluindo Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra e Rondonópolis (MT), Rio Verde (GO), Chapadão do Sul (MS), Cascavel e Londrina (PR) — registraram índices de lavouras em condição boa ou excelente acima da média dos últimos cinco anos. Chuvas regulares e bem distribuídas compensaram eventuais atrasos de plantio, garantindo altos rendimentos.

Com isso, a estimativa do banco para a produção total de milho no Brasil em 2025 é de 139 milhões de toneladas, reforçando a posição do país como um dos principais fornecedores globais. No caso da soja, embora o relatório não traga o número consolidado da safra, o tom é de estabilidade de produção, mas com maior competição no mercado internacional.

O estudo aponta que a combinação de oferta robusta e ritmo de vendas externas alinhado ao histórico deve manter os preços domésticos sensíveis às oscilações do câmbio, à demanda chinesa e ao avanço das exportações norte-americanas na segunda metade do ano.

“O mercado brasileiro entra no segundo semestre com estoques confortáveis, produtividade acima da média e um cenário internacional que exige atenção às margens de comercialização”, destaca a análise do Rabobank.

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