As medidas tarifárias publicadas pelos Estados Unidos em 15 e 23 de julho de 2026 passaram a atingir 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. As decisões resultam de duas investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA e estabelecem sobretaxas de 25% e 12,5% para diferentes grupos de produtos.
Para a cadeia de proteína animal, os efeitos são distintos. Os pescados aparecem entre os itens sujeitos exclusivamente à tarifa adicional de 12,5%. Já as carnes permanecem fora das novas sobretaxas da Seção 301 e também das tarifas setoriais aplicadas pela Seção 232, ficando submetidas apenas às alíquotas ordinárias de importação.
Cobranças podem chegar a 37,5%
A cobrança de 25% decorre de investigação específica sobre políticas e práticas brasileiras. A medida entrou em vigor em 22 de julho, mas não alcança mercadorias embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.
A tarifa de 12,5% está ligada a uma investigação sobre mecanismos de prevenção e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais. Ela substitui a cobrança temporária de 10% aplicada desde fevereiro e pode ser acumulada com a sobretaxa de 25%. Nesse caso, a carga adicional chega a 37,5%.

Com base no comércio bilateral de 2024, 4,7% das exportações brasileiras ficam apenas sob a tarifa de 12,5%; 1,9%, exclusivamente sob a cobrança de 25%; e 16,5%, sob as duas medidas. Outros 24,2% são atingidos por tarifas setoriais da Seção 232.
Em contrapartida, 52,7% das exportações brasileiras, equivalentes a US$ 21,3 bilhões, não são alcançadas por essas sobretaxas. Nesse grupo estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, produtos químicos e grande parte das vendas de celulose.
Comércio bilateral perde ritmo
As exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. A participação norte-americana nos embarques do Brasil recuou de 12,1% para 9,4%.
No comércio exterior total, o Brasil acumulava superávit de US$ 4,95 bilhões até a terceira semana de julho. Dados preliminares da Secex também mostram avanço de 6,5% na média diária das exportações agropecuárias e crescimento de 39,1% nos embarques de carne de aves, na comparação anual.



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