Vanessa de Freitas Dalenogare Feliú, Elizabeth Azevedo Kuhn , Marcela Kuczynski da Rocha e Júlio Otávio Jardim Barcellos
No Brasil, onde a monta natural ainda é a principal estratégia de acasalamento, o touro é o “grande insumo esquecido”. Um único reprodutor pode ser responsável pela fertilidade de 25 a 50 vacas. Qualquer falha individual, seja por saúde, nutrição, manejo ou genética, impacta diretamente a taxa de prenhez, a distribuição dos partos, o número de bezerros e, por consequência, a receita da fazenda. Além disso, a categoria de touros representa menos de 2% do rebanho, portanto, exequível de manter atenção e cuidados especiais. Por isso, a revisão avaliação dos reprodutores antes da temporada de monta é uma das práticas estratégicas e imprescindíveis na bovinocultura moderna.
A revisão antecipada de touros para o período de monta tem por objetivo garantir a máxima eficiência reprodutiva do touro, pois evita falhas na reprodução e protege as taxas de prenhez ao identificar problemas de fertilidade antes do início da temporada reprodutiva. Uma vez que a avaliação neste momento, permite diagnosticar a saúde e a funcionalidade dos animais antes da estação de monta, desse modo, o produtor rural pode planejar as compras de reposição dos touros e evitar prejuízos com animais inférteis.
Por que revisar os touros com antecedência?
Tempo para correções: a espermatogênese em touros leva cerca de 60 dias. Qualquer intervenção nutricional, tratamento sanitário ou ajuste de escore de condição corporal precisa ser feita com antecedência para refletir na qualidade seminal durante a estação de monta.
Substituição planejada: identificar problemas cedo permite tempo para descartar, comprar e adaptar novos reprodutores, evitando improvisos.
Adaptação ao ambiente: touros recém-adquiridos precisam de período de adaptação a clima, dieta e manejo local. Introduzir um touro muito próximo da época de acasalamento aumenta o estresse e o risco de perda de desempenho.
Ajuste da proporção touro:vaca: com a revisão antecipada, é possível planejar a relação de touros por lote de vacas com base em dados reais (idade, ECC, libido, histórico de fertilidade), e não em regras genéricas.
Quando revisar?
A janela ideal para revisão dos reprodutores é de 60 a 90 dias antes do início da estação de monta. Recomenda-se realizar o exame andrológico completo, para permitir reavaliação ou substituição, se necessário.

Tomada de decisão
A partir dos resultados da revisão, é possível definir se o touro estará apto para o serviço, recuperado com ajustes de manejo ou substituído quando não houver possibilidade de correção.
Manter: touros aptos, saudáveis e com bom histórico reprodutivo.
Recuperar: touros aptos com restrições ajustar nutrição, tratar cascos, reavaliar em 60 dias.
Descartar: touros inaptos no exame andrológico, com idade avançada ou problemas de dentição, com problemas irreversíveis ou desempenho ruim recorrente. Aqui é importante consultar a equipe de campo, pois geralmente tem informações complementares sobre o desempenho de um determinado touro na estação anterior.
A revisão antecipada permite tomar decisões que resultamem mais bezerros por hectare; partos concentrados; lotes mais uniformes para recria e engorda; menor risco sanitário e melhor aproveitamento do investimento em genética. O custo do exame andrológico é baixo diante do potencial de retorno, são necessários poucos quilos de bezerro para pagar essa revisão.
Boas práticas para consolidar a rotina anual
Defina o calendário de monta e agende a revisão 60–90 dias antes. Organize curral, tronco de contenção, equipamentos e equipe, incluindo veterinário com experiência em andrologia. Padronize fichas de avaliação e arquive laudos para acompanhamento histórico de cada reprodutor. Use os resultados para planejar compras, descartes e relação touro:vaca. Observe a libido e o comportamento sexual durante a estação de monta, ajustando o manejo quando necessário.
A revisão antecipada de touros é uma ferramenta de gestão que integra genética, nutrição, sanidade e manejo. Quando bem estruturada e incorporada à rotina da fazenda, ela aumenta a taxa de prenhez, concentra partos, padroniza lotes e protege o investimento em genética, transformando o touro como principal aliado da produtividade e da rentabilidade.
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