A produção europeia de ração industrial composta deve permanecer praticamente estável em 2026, mesmo diante de pressões sanitárias, ambientais e regulatórias. Segundo projeção da Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos Compostos para Animais (FEFAC), o volume total na União Europeia, considerando os 27 países do bloco, deve alcançar 152 milhões de toneladas, o que representa leve queda de 0,06% em relação a 2025.
O principal fator de sustentação do setor deve vir da avicultura. A demanda por proteína animal proveniente de aves segue impulsionando a produção de ração para o segmento, que deve crescer 1,2% e atingir 51,6 milhões de toneladas neste ano, mesmo com os impactos da gripe aviária em diferentes regiões da Europa.
Avicultura puxa crescimento
Entre os países com previsão de aumento na produção de ração para aves, Espanha e Alemanha devem registrar altas de 2% e 3,8%, respectivamente. A França também deve avançar 1,5%, alcançando 8,25 milhões de toneladas, enquanto a Polônia pode chegar a 7,46 milhões de toneladas, com crescimento estimado de 3%.
A Áustria é outro país com perspectiva positiva, também com avanço previsto de 3%. Nos demais mercados europeus, a tendência é de estabilidade ou crescimento moderado, em um cenário ainda influenciado por desafios sanitários e pela necessidade de adaptação às exigências produtivas e regulatórias.

Suínos seguem pressionados
Na suinocultura, o movimento é oposto. A produção de ração para suínos deve atingir 48,5 milhões de toneladas, queda de 1,3% em relação ao ano anterior. O recuo está associado a mudanças estruturais no setor, ao avanço de normas ambientais e aos impactos persistentes da peste suína africana em parte do continente.
Os Países Baixos devem apresentar a retração mais acentuada, com queda estimada de 10%, influenciada por regras ambientais mais rigorosas. Já a Espanha, maior produtora de ração para suínos da União Europeia, deve estabilizar a produção em 13,1 milhões de toneladas, ainda assim com redução de 1,5% frente a 2025.
Alemanha e França devem registrar queda de 1%, enquanto a Irlanda pode recuar 2,1%. Por outro lado, alguns países apresentam perspectiva de expansão, como República Tcheca, com alta de 4,2%, Polônia, com 3%, e Hungria, com avanço de 0,6%. A Bulgária também aparece com crescimento previsto de 5,8%, enquanto a Eslovênia deve enfrentar queda de 12%.
Gado mantém estabilidade
Na produção de ração para gado, a expectativa é de estabilidade, com leve tendência de redução em alguns mercados. Segundo a FEFAC, fatores como políticas ambientais, doenças animais e oscilações nos preços do leite devem continuar influenciando o desempenho do segmento ao longo do ano.
Entre os principais produtores, França e Polônia devem registrar crescimento, enquanto Holanda e Bélgica podem apresentar quedas de 5% e 2%, respectivamente. A Espanha, maior produtora europeia de ração para gado, projeta alta de 2%, enquanto Dinamarca, Portugal e Alemanha devem permanecer estáveis ou apresentar leve avanço.
Para a FEFAC, o setor de rações compostas segue demonstrando resiliência diante de um ambiente marcado por volatilidade econômica e geopolítica. A crise energética e de fertilizantes, somada a incertezas regulatórias, como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento, deve continuar pesando sobre as decisões produtivas e comerciais do setor em 2026.
Fonte: FEFAC, adaptado pela equipe Feed&Food
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