O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a sanidade animal brasileira, com impacto direto na rentabilidade da pecuária. O Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de mais de seis décadas de trabalho coordenado pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa). O novo status eleva a credibilidade do sistema sanitário nacional, reduz custos operacionais associados à vacinação e amplia o acesso a mercados internacionais de maior valor agregado.
Segundo a SDA, o reconhecimento posiciona o país em um patamar superior de excelência sanitária, com reflexos positivos na competitividade do agro. A certificação favorece negociações comerciais, melhora a previsibilidade para exportadores e fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais. Para o setor produtivo, o avanço representa ganhos diretos de eficiência e margem, ao mesmo tempo em que amplia oportunidades de mercado.
A dimensão estratégica do reconhecimento também foi destacada por Luis Rua, diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério da Agricultura e Pecuária. “É uma conquista histórica para o nosso país e para a pecuária brasileira, que vem sendo construída há mais de 60 anos”, afirma. Segundo ele, o certificado concedido pela OMSA reforça a imagem sanitária do Brasil no cenário internacional e amplia o acesso a mercados mais exigentes.

A atuação sanitária ao longo de 2025 incluiu, ainda, respostas rápidas a emergências. Na sanidade aviária, após a confirmação do primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em granja comercial, em maio, foram adotadas medidas imediatas de contenção, como desinfecção das instalações, rastreamento, controle rigoroso do trânsito e comunicação transparente. O foco foi encerrado e o país recuperou o status sanitário em apenas um mês, com restabelecimento do reconhecimento internacional.
Na sanidade animal, a SDA coordenou ações técnicas e de fiscalização diante de casos de adoecimento e morte de equinos associados ao consumo de rações, envolvendo laboratórios federais, fiscalizações, análises laboratoriais e cooperação científica com universidades. Já na sanidade vegetal, foram reforçadas ações contra pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola, a vassoura-de-bruxa da mandioca e a monilíase do cacaueiro, assegurando a estabilidade fitossanitária das cadeias produtivas.
O desempenho sanitário também sustentou avanços no comércio exterior, com habilitação de estabelecimentos para a União Europeia, certificações eletrônicas e modernização de processos. A agenda internacional do agronegócio permaneceu intensa ao longo do ano. “Estamos buscando cooperação internacional e também financiamento para iniciativas que promovam a sustentabilidade e ampliem o acesso a mercados”, explica Rua, ao comentar a agenda da comitiva brasileira na França, em Portugal e em países nórdicos, com foco em sustentabilidade e recuperação de pastagens degradadas.
A consolidação do Brasil como referência mundial em sanidade animal sem vacinação encerra 2025 com efeitos concretos sobre a competitividade, a abertura de mercados e o potencial de maior lucratividade para a pecuária nacional.
Fonte: OMSA e MAPA , adaptado pela equipe Feed&Food
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