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Sanidade e qualidade do leite: controle da mastite e boas práticas impulsionam a bovinocultura de leite brasileira

A mastite é uma inflamação das glândulas mamárias, causada principalmente por bactérias, mas também por vírus e fungos

mastite bovina

A sanidade do rebanho e a qualidade do leite são fatores decisivos para a competitividade da bovinocultura de leite no Brasil. Produtores, cooperativas e indústrias estão cada vez mais atentos à implementação de boas práticas agropecuárias (BPA) e ao controle da mastite, doença que impacta diretamente a produtividade, a composição do leite e a rentabilidade do setor. Em um mercado em crescimento e com padrões de qualidade cada vez mais exigentes, garantir leite seguro, nutritivo e competitivo tornou-se prioridade.

Segundo Letícia C. Mendonça, Médica Veterinária e Analista de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Gado de Leite (EGL), a mastite é a doença que mais impacta a produtividade de rebanhos leiteiros. “É definida como a inflamação da glândula mamária e se apresenta de duas formas, mastite clínica: quando há alterações visíveis do leite e/ou do úbere e do animal. Grumos, pus, sangue ou leite amarelado são sinais clínicos da mastite, assim como inchaço, dor e vermelhidão do úbere. Há sinais sistêmicos também, quando a vaca reduz o apetite, apresenta apatia e febre e redução expressiva da produção de leite”, explica. “E, já nos casos de mastite subclínica, não há sinais visíveis: a vaca continua produzindo leite normalmente. Esse tipo de mastite só pode ser diagnosticado por meio de testes realizados no leite. Os testes mais comuns são o California Mastitis Test, também conhecido como CMT ou teste da raquete; contagem eletrônica das células somáticas, realizado em laboratórios; e a cultura microbiológica, que detecta a bactéria causadora da mastite”, afirma.

O impacto econômico da mastite é significativo. Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras e de estudos do setor, cada ponto percentual de vacas com mastite subclínica pode gerar perdas de 3% a 5% na produção individual. Além disso, leite com CCS elevado sofre desvalorização no pagamento aos produtores, e custos adicionais surgem com tratamento de animais, descarte de leite e reposição de vacas comprometidas. Em sistemas de produção de médio e grande porte, estima- -se que prejuízos relacionados à mastite possam ultrapassar R$ 1.000 por vaca por ano em casos de infestação generalizada. “Perdas econômicas da mastite estão relacionadas à redução na produção de leite, custos com medicamentos, com descarte de leite com resíduos de antimicrobianos, óbito de animais com casos clínicos agudos, descarte precoce de animais por baixa produtividade ou perda de quarto mamário, penalização do preço pago por litro de leite devido à alta contagem de células somáticas”, explica Letícia.

O controle da mastite depende de manejo adequado, higiene rigorosa e monitoramento contínuo. A ordenha correta é fundamental, exigindo pré- -limpeza dos tetos, uso de soluções desinfetantes antes e depois da ordenha (“pré e pós-dipping”) e equipamentos bem higienizados. Ambientes limpos, com camas confortáveis e boa ventilação, reduzem o estresse das vacas e limitam a exposição a microrganismos. Técnicas de manejo, como segregação de animais infectados e programas de tratamento seletivo, também são essenciais para interromper a disseminação da doença.

Leia a matéria completa na edição 226 da revista Feed&Food

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