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Risco de falta de sal mineral pode elevar custos da pecuária em Mato Grosso

Famato alerta que escassez de fosfato bicálcico pode afetar a suplementação bovina, pressionar produtores e comprometer desempenho de rebanhos de corte e leite
Por Kevin Nascimento
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A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado nacional, insumo essencial para a fabricação de suplementos minerais usados na alimentação bovina. A preocupação envolve principalmente Mato Grosso, Estado que possui o maior rebanho bovino do país e pode ser diretamente afetado por dificuldades no fornecimento de sal mineral.

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Segundo levantamento da entidade com empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e produtores rurais, há risco de escassez da linha de sal mineral para bovinos nos próximos dias. O cenário pode impactar tanto a produção de carne quanto a de leite, já que a suplementação mineral tem papel importante no desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos animais.

Dependência externa amplia preocupação

A possível falta do produto é atribuída a uma combinação de fatores. Entre eles estão a produção nacional insuficiente para atender à demanda do agro brasileiro, a dependência de importações, restrições externas de oferta, impactos de conflitos internacionais sobre cadeias produtivas e logísticas e a decisão de alguns países fornecedores de priorizar seus mercados internos.

Além do risco de desabastecimento, a Famato aponta aumento nos preços de concentrados para engorda e suplementos minerais, com possibilidade de novos reajustes. Esse movimento pressiona o pecuarista em um momento de custos elevados, margens reduzidas e queda nos preços pagos pela indústria frigorífica.

Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas em Mato Grosso e pode pressionar custos da suplementação bovina. Crédito: Reprodução

Impacto chega ao rebanho

A deficiência mineral pode comprometer ganho de peso, fertilidade, imunidade, produção de leite e índices reprodutivos. Na prática, a falta de suplementação adequada reduz a eficiência das propriedades, aumenta riscos sanitários e pode afetar diferentes etapas da cadeia produtiva.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema exige atenção imediata. “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho, assim como os insumos fosfatados são estratégicos para a produção agrícola”, destaca.

O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, afirma que a instabilidade no fornecimento preocupa pela dimensão da pecuária mato-grossense. “Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral atinge milhares de produtores”, afirma.

Entidade cobra medidas para reduzir pressão

A Famato também relaciona o alerta à recente escassez de vacinas contra clostridioses, tema acompanhado pela entidade. Para a federação, a soma entre dificuldades sanitárias e possível falta de insumos para suplementação mineral amplia o risco produtivo e econômico nas propriedades rurais.

Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, redução tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal, desburocratização alfandegária, agilização da liberação de produtos nas fronteiras e aproximação com países fornecedores, como a Bolívia.

A Famato também defende a implementação efetiva do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, com foco na redução da dependência externa de insumos estratégicos. O plano prevê ações para ampliar a produção nacional, estimular pesquisa mineral, atrair investimentos, melhorar o ambiente de negócios e fortalecer a infraestrutura logística.

Fonte: Famato, adaptado pela equipe Feed&Food

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