O setor avícola do Rio Grande do Sul encerrou 2025 mantendo-se entre os três principais produtores e exportadores nacionais de carne de frango, apesar da retração nas exportações ao longo do ano. Os dados foram apresentados pela Organização Avícola do RS (O/A.RS) — formada pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do RS (Sipargs) na última semana.
Segundo o balanço divulgado, o setor enfrentou um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos, marcado por eventos climáticos extremos, como as enchentes, além da ocorrência de doenças como Newcastle e Influenza Aviária desde 2024. Ainda assim, a avicultura gaúcha conseguiu preservar sua relevância nacional, resultado atribuído à gestão de crises e à atuação integrada com órgãos oficiais e instituições parceiras.
Em 2025, foram abatidas cerca de 808 milhões de aves no Estado, volume 1,5% superior ao registrado no ano anterior. Já no mercado externo, as exportações de carne de frango somaram 686,3 mil toneladas, queda de 0,77% frente às 691,6 mil toneladas exportadas em 2024. A receita cambial alcançou US$ 1,24 bilhão, recuo de 1,35% em relação aos US$ 1,26 bilhão do ano anterior.
De acordo com o presidente executivo da O/A.RS, José Eduardo dos Santos, a retração está diretamente ligada aos embargos impostos após o registro de Influenza Aviária no Estado, em maio de 2025, o que impediu a retomada das exportações para a China. “Se estivéssemos exportando para os chineses, o setor teria fechado o ano com ligeiro crescimento”, afirmou.

Mercado de ovos
A indústria de ovos do Rio Grande do Sul também foi impactada pelo bloqueio do mercado chinês. Em 2025, as exportações totalizaram 6,2 mil toneladas, redução de 3,91% em relação às 6,5 mil toneladas embarcadas em 2024. Apesar da queda em volume, a receita apresentou forte crescimento, alcançando US$ 23,6 milhões, alta de 39,1% na comparação anual, reflexo da valorização da proteína no mercado internacional.
Para 2026, as perspectivas são positivas. Mantidas as condições sanitárias adequadas e sem ocorrência de eventos climáticos extremos, o setor projeta retomada do crescimento entre 3% e 4% nas exportações de carne de frango e entre 10% e 20% nos embarques de ovos.
Durante a coletiva, também foram destacados temas como o reforço das medidas de biosseguridade nos aviários, a importância da atualização das normas sanitárias e o monitoramento das criações de subsistência. Santos afirmou ainda que a entidade seguirá promovendo campanhas de valorização das marcas gaúchas e incentivo ao consumo de carne de frango e ovos produzidos no Estado.
O dirigente também anunciou dois eventos estratégicos para o setor em 2026: o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), que ocorre de 4 a 8 de agosto, em São Paulo, e a 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), programada para os dias 23 a 25 de novembro, em Gramado (RS).
Panorama da avicultura gaúcha em 2025
A avicultura no Rio Grande do Sul responde por cerca de 35 mil empregos diretos e aproximadamente 550 mil atividades indiretas, com presença em cerca de 270 municípios. A Asgav reúne atualmente 57 associados, entre frigoríficos, produtores de ovos, indústrias de processamento, incubatórios e fornecedores do setor.
Na produção de carne de frango, o Estado ocupa a terceira posição nacional, com 1,8 milhão de toneladas produzidas em 2025 e 686 mil toneladas exportadas. No segmento de ovos, o Rio Grande do Sul é o sexto maior produtor do país, com produção de 244 mil toneladas em 2025, e exportou 6,2 mil toneladas no período.
Fonte: Asgav, adaptado pela equipe da Feed& Food.
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