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Brasil redesenha estratégia de exportação de carne e aposta na diversificação de mercados

Com cenário global de oferta curta e mudanças nas compras da China, setor projeta estabilidade em 2026 e mira novos destinos para a proteína animal brasileira

exportação de carne bovina do Brasil

O mercado global de proteína animal vive um momento de oferta apertada e consumo crescente, cenário que coloca o Brasil em posição estratégica no comércio internacional de carne bovina. Durante coletiva da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a entidade destacou que o país exporta atualmente para 177 países e deve manter estabilidade de preços e de volume financeiro em 2026, mesmo diante de ajustes importantes em mercados-chave.

Em 2025, o Brasil registrou aumento de cerca de 190 mil toneladas nas exportações para a China, além de bom desempenho nas vendas para os Estados Unidos. Mato Grosso e São Paulo lideraram os embarques no período, em um ano marcado também por alta de 16% nos preços da carne bovina. Para o próximo ano, a expectativa do setor é de estabilidade no mercado interno e manutenção do ritmo de produção, com abate em torno de 40 milhões de cabeças.

O principal ponto de atenção está justamente na China, maior compradora da carne brasileira. O país asiático passou a adotar um sistema de controle de cotas e informou ao Brasil que pretende importar cerca de 1,106 milhão de toneladas por ano, volume inferior ao praticado anteriormente, que girava em torno de 1,7 milhão de toneladas. A mudança pode representar uma redução de aproximadamente 35% nas vendas para esse mercado, embora os preços tenham subido, o que ajuda a compensar parte da queda em volume.

Diante desse novo cenário, a estratégia do setor é clara: reduzir a dependência de um único destino e ampliar a presença em outros mercados. Hoje, a média de embarques para a China está em cerca de 92 mil toneladas por mês, mas a ABIEC reforça que a capilaridade brasileira permite redirecionar parte da produção para outros países. “O Brasil tem carne e o mundo vive um momento de déficit de oferta”, foi a mensagem central transmitida pela entidade.

exportação de carne bovina do Brasil
Coletiva de imprensa da ABIEC reuniu jornalistas para apresentar o balanço das exportações de carne bovina e as perspectivas do setor para 2026, com foco em China, Estados Unidos e abertura de novos mercados. Crédito: Feed&Food

Os Estados Unidos aparecem como um dos principais focos dessa diversificação. O país enfrenta um déficit estimado em cerca de 1 milhão de toneladas entre produção e consumo, e o Brasil já cumpriu sua cota de exportação para esse mercado em 2025, com previsão de embarques próximos de 400 mil toneladas. A ABIEC, inclusive, anunciou que deve abrir ainda neste ano um escritório em Washington para fortalecer a presença institucional no mercado norte-americano.

Na União Europeia, o acordo Mercosul–UE abre novas possibilidades, embora o impacto em volume seja mais limitado. O bloco terá uma cota de 99 mil toneladas, das quais o Brasil ficará com 42%, com implementação gradual ao longo de 5 anos. A expectativa é de crescimento entre 5% e 10% ao ano nas vendas para o mercado europeu, com destaque para destinos como Itália, Países Baixos, Espanha e Bélgica.

Entre os mercados emergentes, a Indonésia foi apontada como uma das grandes apostas para os próximos anos. O país já importa miúdos do Brasil, mas tem potencial para se tornar um dos maiores compradores de carne bovina brasileira. Recentemente, autoridades indonésias visitaram 18 plantas frigoríficas no Brasil, que devem ser habilitadas em breve. Japão, Coreia do Sul e Turquia também estão no radar como possíveis novas aberturas comerciais.

No campo institucional, a ABIEC informou que já realizou 5 reuniões com o governo federal apenas neste ano para tratar de temas como negociação com a China, linhas de crédito, reconhecimento sanitário e abertura de mercados. A entidade também apresentou estudos sobre sustentabilidade em eventos internacionais e prepara novas ações de promoção da carne brasileira no exterior, como o Brazilian Beef Dinner, reforçando a imagem do produto nacional.

Mesmo com ajustes importantes no tabuleiro global, o setor avalia que o momento é positivo. A produção mundial segue curta, o consumo cresce e o Brasil permanece como um dos poucos países capazes de atender essa demanda em escala. A aposta agora é clara: vender com mais valor, ampliar destinos e garantir estabilidade tanto para a indústria quanto para o pecuarista sem deixar de olhar para o abastecimento do mercado interno.

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