A publicação da Portaria SDA/Mapa nº 1.617/2026 acrescentou uma nova etapa ao processo de uso responsável de antimicrobianos na produção animal brasileira. A norma proíbe, em todo o País, a importação, fabricação, comercialização e utilização de aditivos melhoradores de desempenho que contenham substâncias classificadas como importantes para a medicina humana ou veterinária.
Na avaliação de Fernando Braga, gerente global de Marketing da ICC Nutrição Animal, a mudança deve ampliar a atenção dedicada ao manejo sanitário, à biosseguridade, ao controle da microbiota intestinal e à imunonutrição. “Essa decisão marca uma nova fase para a produção animal no Brasil, com valorização do manejo sanitário, biossegurança, controle da microbiota intestinal, imunonutrição, manutenção da saúde gastrointestinal e estabilidade da fermentação ruminal em bovinos”, afirma.
A adequação também ocorre em um momento de maior pressão dos mercados internacionais. A União Europeia atualizou a relação de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal conforme suas exigências sobre antimicrobianos, mas o Brasil não foi incluído para categorias como bovinos, aves, aquicultura, ovos, mel e envoltórios. Caso o País não apresente as garantias exigidas e retorne à lista, as restrições passam a valer em 3 de setembro de 2026.
Alternativas nutricionais ganham atenção
Nesse cenário, estratégias baseadas em leveduras, probióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e outros aditivos nutricionais ganham espaço nas discussões sobre saúde intestinal e desempenho produtivo. A adoção dessas alternativas, entretanto, precisa estar associada a medidas de higiene, controle sanitário, qualidade da alimentação e acompanhamento técnico.
Para os ruminantes, o controle das condições do rúmen é apontado como um dos pontos de atenção. “A restrição ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento torna as estratégias de controle do pH do rúmen ainda mais importantes. O produtor precisa ficar mais alerta sobre a alimentação animal para balancear crescimento, saúde intestinal, digestibilidade e modulação do sistema imune”, avalia William Reis, gerente de Produtos para Ruminantes da ICC Nutrição Animal.
Em aves e suínos, a discussão envolve principalmente a estabilidade da microbiota, a integridade intestinal e a resposta dos animais aos desafios sanitários. Gustavo Aguiar, especialista em Monogástricos da ICC Nutrição Animal, afirma que diferentes aditivos podem ser utilizados de forma complementar. “Nossos produtos têm potencial sinérgico com probióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e nucleotídeos, ampliando o suporte à saúde intestinal em diferentes espécies e desafios produtivos”, diz.

Manejo e nutrição devem atuar em conjunto
No material encaminhado, a ICC apresenta o ImmunoWall, direcionado a aves e suínos, e o RumenYeast, voltado aos ruminantes, como exemplos de soluções à base de levedura disponíveis em seu portfólio. Segundo a fabricante, os produtos foram desenvolvidos para apoiar parâmetros relacionados à microbiota, digestibilidade, integridade gastrointestinal e resposta imune.
A transição para sistemas com menor dependência de antimicrobianos como melhoradores de desempenho não se limita, porém, à substituição de um produto por outro. O processo exige integração entre nutrição, biosseguridade, diagnóstico, vacinação, qualidade das instalações, manejo dos animais e orientação de médicos-veterinários e nutricionistas.
Além dos efeitos sobre a rotina das propriedades e fábricas de ração, a nova regulamentação aumenta a necessidade de registros, controles e evidências capazes de demonstrar conformidade aos mercados compradores. O Mapa informa que a medida faz parte das ações nacionais de combate à resistência aos antimicrobianos e de estímulo ao uso responsável desses insumos.




