O governo do Reino Unido sinalizou a retomada do uso de proteína animal processada (PAP) na alimentação de suínos e aves, mas a medida só deverá entrar em vigor após a formalização de um acordo sanitário e fitossanitário com a União Europeia. A sinalização partiu do Department for Environment, Food & Rural Affairs (Defra) e do governo do País de Gales.
A utilização de PAP permanece proibida no Reino Unido há 38 anos, desde a crise da encefalopatia espongiforme bovina (BSE), conhecida como “mal da vaca louca”. Na época, a alimentação de bovinos com carne e farinha de ossos contaminadas foi associada à disseminação da doença, o que levou à adoção de restrições rígidas.
Avaliações científicas mais recentes conduzidas pela Agência de Saúde Animal e Vegetal indicaram que o risco de encefalopatias espongiformes transmissíveis (EET) decorrente do uso controlado de PAP em dietas para não ruminantes é considerado muito baixo. Na União Europeia, a utilização já é permitida desde 2021, o que ampliou o debate sobre a competitividade britânica.

A proposta de liberar o uso de proteína suína processada na alimentação de aves passou por consulta pública e recebeu mais de 700 contribuições. Parte significativa do público manifestou preocupação com biossegurança, saúde pública e aspectos éticos. Em contrapartida, representantes do setor produtivo destacaram evidências científicas sobre a segurança do produto, além do seu valor nutricional.
Outro argumento favorável envolve sustentabilidade e competitividade. Atualmente, aves produzidas na União Europeia com ração contendo PAP podem ser exportadas ao Reino Unido, criando assimetria concorrencial. A liberação interna permitiria que subprodutos animais de categoria 3, hoje direcionados principalmente à indústria pet, fossem utilizados na formulação de rações, fortalecendo a economia circular e reduzindo a dependência de soja importada.
O debate também incluiu questões relacionadas à percepção do consumidor e certificações religiosas. Autoridades britânicas informaram que houve diálogo com organismos de certificação halal sobre rastreabilidade e conformidade. Já representantes da indústria ressaltaram que a adoção do novo modelo dependerá de regulamentação clara, garantias sanitárias e viabilidade econômica.
Enquanto o setor aguarda a formalização do acordo sanitário com a União Europeia, a decisão é vista como estratégica para a indústria de nutrição animal, com potencial impacto sobre custos, formulação de rações e competitividade internacional.
Fonte: informações de órgãos oficiais do Reino Unido, adaptado pela equipe Feed&Food
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