Por Camila Santos, da Redação
O primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial no Brasil foi confirmado em 16 de maio de 2025, no município de Montenegro (RS). De acordo com o MAPA, até o momento, 21 países suspenderam totalmente as importações do Brasil, incluindo China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, África do Sul, União Euroasiática, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Filipinas e Jordânia.
Outros países adotaram medidas parciais: o Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia suspenderam as compras apenas do Estado do Rio Grande do Sul. Já Japão e Arábia Saudita limitaram a restrição ao município de Montenegro.
Segundo dados do Radar Agro Itaú BBA, divulgados na tarde de ontem (20), oito mercados que já restringiram as compras representam cerca de 58% do total exportado pelo Brasil em 2024. Apenas a China, por exemplo, importou 533 mil toneladas no ano passado, movimentando US$ 1,3 bilhão. Com isso, o impacto potencial sobre o comércio internacional é significativo, mesmo que temporário.

Considerando a média mensal de exportações brasileiras de carne de frango — cerca de 420 mil toneladas e US$ 835 milhões —, as perdas podem se acumular rapidamente caso o embargo persista por mais de dois meses. Para o mercado interno, a consequência imediata deve ser o aumento da oferta, o que tende a pressionar os preços da proteína no varejo.
O Radar Itaú também projeta que os preços da carne de frango podem cair até 15% no curto prazo, diante do redirecionamento da produção. Isso tende a gerar efeitos em cadeia nas demais proteínas, como suína e bovina, à medida que o consumidor migra para opções mais baratas. Já o mercado de grãos, com destaque para milho e farelo de soja, pode sofrer com a redução na demanda das agroindústrias, impactando cotações e margens do setor de insumos.
Apesar do cenário desafiador, analistas destacam que o Brasil possui estrutura de produção e logística suficientemente ágil para remanejar parte da exportação entre plantas e estados, o que pode reduzir a pressão ao longo do tempo. A diversificação dos mercados e o histórico sanitário positivo do país também são considerados ativos importantes para retomar a confiança internacional.
O desfecho dependerá da contenção eficaz do foco detectado e da ausência de novos casos em granjas comerciais. Enquanto isso, o setor avícola monitora os desdobramentos com atenção, buscando mitigar impactos financeiros e operacionais em um dos segmentos mais relevantes da agroindústria nacional.
Fonte: Radar Itaú, adaptado pela equipe FeedFood.
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