A entrada dos bovinos no confinamento é uma das etapas mais sensíveis e estratégicas da produção intensiva. O manejo adotado nos primeiros dias impacta diretamente a saúde, o desempenho zootécnico e o resultado econômico da operação. Falhas nesse momento inicial podem resultar em perdas por doenças, baixo ganho de peso e aumento de custos ao longo do ciclo.
Desde o embarque até o desembarque, o manejo deve priorizar tranquilidade e bem-estar. Correria, gritos e uso inadequado de instrumentos elevam o estresse, favorecem contusões e atrasam a adaptação dos animais ao novo ambiente. Após a chegada, a triagem individual do lote é fundamental para identificar sinais clínicos que indiquem alterações de saúde.
Entre os pontos que exigem atenção imediata estão a locomoção, a presença de ferimentos, a condição dos olhos e as vias respiratórias. Animais mancando podem indicar lesões nos cascos ou membros; olhos fundos sugerem desidratação; lacrimejamento excessivo, corrimentos nasais, tosse ou dificuldade respiratória são sinais de alerta. Diante de qualquer alteração, o protocolo recomenda a separação dos animais para avaliação e tratamento conforme orientação do médico-veterinário.
O período de adaptação também exerce papel central no sucesso do confinamento. A recomendação é manter os bovinos de sete a quatorze dias em piquetes de adaptação, com acesso irrestrito à água limpa, cocho para mineralização e dieta específica para transição alimentar. Esse intervalo permite reidratação, ressocialização, estabelecimento de hierarquias e familiarização com a rotina do sistema intensivo.

O controle parasitário desde a entrada no confinamento é outro fator decisivo. Verminoses gastrointestinais e pulmonares comprometem o apetite, reduzem a absorção de nutrientes e elevam o gasto energético. Segundo Marcos Malacco, médico-veterinário e gerente de serviços veterinários da Ceva Saúde Animal, a aplicação de eprinomectina injetável na chegada ao confinamento garante controle eficaz dos principais vermes redondos, preservando o desempenho produtivo.
Além dos parasitas internos, ectoparasitas como carrapatos, moscas e bernes exigem intervenção imediata. Esses agentes provocam estresse, reduzem o consumo de alimento e podem transmitir doenças como a tristeza parasitária bovina. Formulações à base de fipronil, aplicadas por vias tópicas, permitem controle rápido e prolongado, reduzindo perdas zootécnicas.
A adaptação ao confinamento também impõe desafios ao sistema imunológico. Estresse de transporte, mudança de dieta e restrição de espaço favorecem a queda da imunidade. O suporte nutricional com aminoácidos, macrominerais e compostos que auxiliam o metabolismo hepático contribui para fortalecer as defesas naturais dos animais e melhorar o consumo de matéria seca nos primeiros dias.
Em regiões endêmicas, a vacinação contra a raiva bovina integra o protocolo sanitário de entrada. Além de causar perdas diretas por mortalidade, a doença representa risco à saúde pública e pode gerar prejuízos econômicos e restrições sanitárias. A imunização preventiva é uma medida estratégica para proteger o rebanho e a operação como um todo.
A adoção de um protocolo de entrada estruturado, que integre manejo racional, controle sanitário, suporte nutricional e imunização, permite que o potencial genético dos animais seja plenamente aproveitado. O resultado é maior ganho médio diário, menor incidência de doenças e melhor retorno sobre o investimento no confinamento.
Fonte: Ceva Saúde Animal, adaptado pela equipe Feed&Food.
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