Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O setor de proteína animal brasileiro atravessou o terceiro trimestre de 2025 em ritmo consistente de crescimento, de acordo com o relatório Rabobank Agroinfo Setembro 2025. Mesmo diante de um cenário global marcado por tensões comerciais e custos de produção em adaptação, as principais cadeias pecuárias seguem demonstrando resiliência e competitividade.
Na bovinocultura, julho marcou um feito histórico: as exportações ultrapassaram a barreira das 300 mil toneladas em um único mês, estabelecendo um recorde. O desempenho no mercado externo tem impulsionado a recuperação das cotações do boi gordo, que iniciaram trajetória de alta e devem manter essa tendência até o fim do quarto trimestre, segundo a análise do banco.
A suinocultura também vem mantendo desempenho firme. A combinação de demanda doméstica estável e custos de alimentação relativamente controlados favorece a competitividade, ainda que o setor acompanhe de perto os efeitos indiretos da disputa tarifária entre Estados Unidos e China sobre os mercados de grãos e ração.

No setor lácteo, a produção continua em expansão, embora em ritmo mais moderado após a expressiva alta registrada no segundo trimestre. O Rabobank destaca que as margens permanecem positivas para os produtores, sustentadas por custos mais baixos e preços firmes no mercado interno, um alívio após períodos de forte pressão nos últimos anos.
Apesar do cenário otimista para a proteína animal brasileira, o relatório acende um sinal de alerta com relação às tarifas adicionais de 40% impostas pelos EUA às exportações brasileiras de carne bovina desde agosto. A medida pode gerar impactos sobre o fluxo de embarques nos próximos meses, pressionando a rentabilidade da cadeia.
Ainda assim, a avaliação do Rabobank é de que o Brasil mantém posição de destaque no cenário global de proteínas animais, com oferta competitiva, custos controlados e crescente espaço no comércio internacional. Esses fatores reforçam a importância do país como fornecedor estratégico de alimentos em meio às incertezas geopolíticas e comerciais que marcam 2025.
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