Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Publicidade

Mercado global de carne bovina reforça protagonismo do Brasil até 2026, aponta Thiago Bernardino

Em palestra no Feedlot Summit, professor da ESALQ/CEPEA destacou a dependência internacional da carne bovina sul-americana

carne bovina

Camila Santos, de Goiânia (GO)

O cenário para a pecuária de corte brasileira até 2026 é positivo e sustentado por uma variável estratégica: a dependência mundial da carne bovina produzida na América do Sul. Essa foi a principal mensagem da palestra “Perspectivas para os mercados agrícolas e de commodities para 2025 e 2026”, ministrada pelo professor e pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, da ESALQ/CEPEA, durante o Feedlot Summit em Goiânia (GO).

“Temos um cenário muito positivo para o mercado de carne bovina, principalmente pelos demandantes. Mercados como China, Japão e Coreia do Sul continuarão a demandar a nossa carne. A produção virá da América do Sul, principalmente do Brasil. Esqueçam produção em países desenvolvidos, isso não vai ocorrer lá”, destaca Thiago.

Atualmente, o Brasil lidera os fluxos globais de exportação. Só para a China, são 1,4 milhão de toneladas exportadas. Para efeito de comparação, a Argentina, segundo maior fornecedor do país asiático, envia 573 mil toneladas. “É absurdo, no bom sentido, o volume que o Brasil exporta para a China. Não tem como o país dizer não ao nosso produto. Pode haver turbulências, como investigações sanitárias, mas a dependência chinesa é muito grande”, explica.

Segundo o pesquisador, o Brasil se diferencia também pela combinação de aumento de produção com redução de preços internos. Enquanto a carne bovina encareceu em diversas regiões do mundo, por aqui houve queda em função do ciclo pecuário e do avanço da oferta. “Somos um dos poucos países em que o preço da carne caiu, apesar de termos mercados crescentes”, reforçou.

carne bovina
Brasil lidera os fluxos globais de exportação. Só para a China, são 1,4 milhão de toneladas de carne bovina exportadas (Foto: Reprodução)

Ciclo pecuário e bezerro valorizado

A análise de do professor mostra que os próximos dois anos ainda serão marcados por efeitos do ciclo pecuário. Nos Estados Unidos, há redução de inventário e alta no preço do bezerro. Na Austrália, após crescimento, a produção deve recuar entre 2025 e 2027, elevando também os custos. “O preço do bezerro está subindo globalmente. No Brasil, ainda está abaixo dos patamares de 2022 e 2023, mas segue valorizado. E basta lembrar: quando o preço do bezerro cai, pode cair até 40%, mas quando sobe, pode subir 80%”, pontua.

O pesquisador lembrou que o grande investimento feito em matrizes em 2021, quando houve retenção recorde de fêmeas, terá reflexo direto agora. “Foi o ano em que mais se segurou fêmea desde 2002. Isso significa mais oferta de bezerros em 2025, fruto de investimentos que começaram lá atrás”, analisa.

Outro dado relevante é a correlação entre preço do bezerro e vendas de sêmen, que chega a 0,92 (R²). “Quando o preço do bezerro sobe, aumenta a venda de sêmen. É uma relação direta e muito forte, e o produtor precisa se antecipar a esse ciclo”, alertou.

Grãos, clima e consumo interno de carne bovina

Em relação às commodities agrícolas, Thiago sinalizou um ano de milho mais favorável em 2025, mas com possibilidade de alta em 2026. Já a soja dependerá da posição da China no mercado e da competitividade dos Estados Unidos. O professor também chamou atenção para os efeitos climáticos: “O fenômeno La Niña pode afetar a produção de grãos e precisa ser acompanhado de perto”.

No consumo doméstico de carne bovina, mesmo com o endividamento das famílias, há expectativa de estabilidade. “Um aumento de apenas 300 gramas per capita já representa um volume significativo de bois abatidos. O consumo segue relativamente firme, com impacto positivo sobre o mercado”, disse.

Capital humano e infraestrutura

Para além das questões de mercado, o pesquisador reforçou a necessidade de investimento em capital humano e infraestrutura. “Parece contraditório falar disso em plena era da inteligência artificial, mas cuidem dos seus funcionários. São eles que fazem vocês ganharem dinheiro. Também precisamos de infraestrutura, armazéns, ferrovias, logística eficiente. Isso é fundamental para a competitividade do Brasil”, afirmou.

O professor encerrou sua fala com uma mensagem de otimismo e de incentivo à escala produtiva. “Os preços do boi gordo devem ser interessantes nos próximos anos, impulsionados pela reposição. O milho estará mais favorável este ano, a soja dependerá da China, mas o mais importante é: continuem investindo na produção de carne bovina, continuem aumentando a escala. Essa é a tônica da agropecuária brasileira para os próximos anos”.

LEIA TAMBÉM:

“Feedlot Summit reflete a busca por eficiência no ciclo pecuário”, afirma Rogério Coan

Feedlot Summit abre programação com análise de mercado e impacto da reposição na pecuária

Feedlot Summit 2025 começa amanhã (10)

Você está em
Texto 100%