O Cadastro Ambiental Rural (CAR), instituído pelo Código Florestal brasileiro (Lei 12.651/2012), oferece um registro abrangente, baseado em satélite, do uso rural e ambiental da terra em milhões de propriedades. Dados do GITE/Embrapa revelam que os produtores rurais preservam a vegetação nativa enquanto sustentam produção agrícola eficiente. Assim, preservam 33,2% do território nacional, área que supera as zonas formalmente protegidas e destaca a importância do setor privado na conservação. Na América e na União Europeia, as áreas privadas preservadas raramente excedem 10% dos respectivos territórios nacionais. No Brasil, a vegetação nativa cobre mais de 65% de seu território incluindo áreas protegidas, terras indígenas e reservas rurais. Pastagens cultivadas ocupam 13,2% do nosso território, enquanto pastagens nativas e naturais representam cerca de 8% do país, ocupando áreas marginais ou extensivas no Pantanal, Caatinga e franjas do Cerrado e da Amazônia.
O Brasil emergiu como relevante ator na produção global de proteína animal, aproveitando seus vastos recursos territoriais, condições tropicais favoráveis e ganhos de produtividade para se tornar o maior exportador mundial de carne bovina e importante fornecedor de suínos e aves representando cerca de 11% da produção e exportações globais totais de carnes bovina, suína e avícola. As exportações de carne bovina atingiram níveis inéditos (US$ 18,03 bilhões em 2025). O Brasil tornou-se fornecedor essencial para mais de 150 países, ajudando a atender à crescente demanda por proteína animal em regiões em desenvolvimento e aliviando a pressão sobre sistemas menos eficientes em outras partes do mundo. No entanto, restrições sanitárias, protocolos de segurança e subsídios em países desenvolvidos criam competição desigual, permitindo que essas regiões mantenham alta produção doméstica e excedentes de exportação, competindo diretamente com a pecuária brasileira não subsidiada.
A narrativa imposta por grupos de pressão sobre aquecimento global, mudanças climáticas, bem-estar animal negligente, vegetarianismo, veganismo e outras visões ideológicas dogmáticas e não científicas sobre as contribuições da pecuária a esse “cenário cataclísmico” ignora a distinção entre emissões de gases de efeito estufa (GEE) biogênicas e industriais e distorce, salvo melhor juízo, parte da opinião pública, ao menos a mais barulhenta e autoritária, criando um modelo mental na sociedade de que a produção de ruminantes, independentemente do nível científico e tecnológico aplicado, é uma grande vilã contribuinte para GEE, destacando nosso modelo de pecuária (aliás, em franca evolução) como poluidor insolvente.
Essa narrativa, amplificada pela visão de separação “fazendas aqui, florestas lá” promovida em países desenvolvidos, enquadrou convenientemente o Brasil como vilão nesse imaginário por causa de sua produção em larga escala. No entanto, o uso eficiente das terras no Brasil onde a produção de forragem em pastagens cultivadas (~13,2% do território apenas) e nativas/naturais (~8% do território apenas) sustenta sistemas de alta produtividade sem desmatamento proporcional contrasta fortemente com modelos subsidiados em outros lugares. Tais retratos ignoram os esforços de preservação do setor privado brasileiro e o papel da competição orientada pelo mercado na segurança alimentar global.
Leia a matéria completa na edição 227 da revista Feed&Food

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