A memória da Covid-19 ainda está fresca, e a pergunta que assombra cientistas e governos é: de onde virá a próxima pandemia? Grande parte das apostas aponta para vírus de origem animal, as chamadas zoonoses, como as gripes aviária e suína. O que poucos sabem é que, silenciosamente, as granjas de produção de proteína animal do Brasil se tornaram um dos campos de batalha mais cruciais para a saúde global. Longe de ser apenas um fornecedor de alimentos, o agronegócio brasileiro emerge como um agente estratégico na defesa da saúde mundial, através de uma abordagem integrada que materializa o conceito de Saúde Única.
Neste sentido o Brasil aposta em uma estratégia de defesa em duas camadas. De um lado, um escudo externo de vigilância ativa, capaz de identificar e conter ameaças virais antes que se espalhem. De outro, uma fortaleza interna, construída a partir da nutrição e da ciência da saúde animal, que fortalece os próprios animais, tornando-os mais resilientes a infecções. Juntas, essas frentes posicionam o país na vanguarda da biossegurança e da prevenção de crises sanitárias globais.
Vigilância Ativa: Olhos Atentos para o Inimigo Invisível
Para evitar que um vírus animal se torne a próxima crise humana, a primeira regra é: enxergá-lo antes que ele se espalhe. É um trabalho de detetive minucioso, e a ciência brasileira, com o apoio de políticas regulatórias estratégicas, está na liderança dessa missão.
No coração dessa vigilância está o trabalho da Embrapa Suínos e Aves, que atua como uma verdadeira sentinela contra ameaças invisíveis. A pesquisadora Dra. Janice Zanela, à frente do projeto de vigilância de novas doenças virais em suínos, explica a urgência: “A pandemia de influenza em animais ou da COVID-19 em humanos mostrou como a circulação silenciosa de vírus em populações, seja de animais ou mesmo na humana, pode representar risco global.” Em espécies criadas em larga escala, como suínos e aves, com cadeias produtivas interligadas e contato estreito com pessoas, a vigilância precoce é crucial para identificar patógenos endêmicos, emergentes ou com potencial de rápida disseminação.

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