A produção aquícola do Pará registrou crescimento superior a 30% em 2023, consolidando o estado como uma das principais referências na cadeia do pescado no Brasil. Segundo dados oficiais, o volume total saltou de 28,3 mil toneladas para mais de 37 mil toneladas em apenas um ano. O avanço expressivo é resultado da combinação entre incentivos à cadeia produtiva, zoneamento aquícola, investimentos em infraestrutura e ações de capacitação técnica para os produtores.
A tilápia permanece como a espécie mais cultivada no estado, seguida por tambaqui, tambacu, tambatinga e curimatã. No entanto, há esforços em curso para diversificar ainda mais a produção, com foco em espécies nativas e de alto valor comercial. De acordo com técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o crescimento foi impulsionado pela expansão das áreas aquícolas regularizadas, fruto do trabalho de mapeamento e zoneamento em municípios como Paragominas, Parauapebas, Xinguara, Santarém, Tucuruí e Altamira.
O secretário da Sedap, Giovanni Queiroz, destacou que o avanço do setor é estratégico para o desenvolvimento da bioeconomia amazônica e a segurança alimentar da região. “A aquicultura é uma atividade que gera emprego, renda e alimentos de alto valor nutricional, com baixo impacto ambiental. Com planejamento técnico e apoio às comunidades produtoras, conseguimos expandir de forma sustentável”, afirmou.
A regularização fundiária e ambiental tem sido um pilar para o desenvolvimento ordenado da atividade. O trabalho de zoneamento aquícola permite que os municípios identifiquem áreas propícias para o cultivo de pescado, respeitando os ecossistemas locais e garantindo segurança jurídica aos produtores. Esse processo tem sido essencial para atrair investimentos privados, estimular projetos associativos e dar escala comercial à produção.

Além disso, ações conjuntas com a Federação da Aquicultura e Pesca do Pará (Feapespa) têm contribuído para promover capacitações, assistência técnica e facilitar o acesso ao crédito para pequenos e médios produtores. A meta do governo estadual é ampliar a produção anual para 100 mil toneladas até 2030, apoiada em tecnologias sustentáveis e integração com outras cadeias produtivas.
Apesar do crescimento consistente, especialistas apontam que o setor ainda enfrenta gargalos, sobretudo no escoamento da produção e no acesso a mercados consumidores mais distantes. A logística de transporte, principalmente em áreas mais remotas da região Norte, representa um desafio para a competitividade da aquicultura paraense.
Para mitigar esse entrave, estão sendo articuladas melhorias na infraestrutura de estradas, armazenamento refrigerado e transporte fluvial. Outra frente importante é o fortalecimento das agroindústrias locais e a certificação da produção, com foco em rastreabilidade e boas práticas, ampliando o valor agregado do pescado regional.
O avanço da aquicultura no Pará está cada vez mais associado à adoção de boas práticas ambientais, manejo racional dos recursos hídricos e uso de tecnologias que reduzem o impacto ambiental. O uso de rações específicas, sistemas de recirculação de água e modelos de integração com a agricultura familiar são alguns dos caminhos apontados por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e universidades da região.
Além disso, iniciativas voltadas ao cultivo de espécies nativas — como pirarucu e tambaqui — ganham força por se adaptarem bem às condições amazônicas e possuírem alto valor comercial, tanto no mercado interno quanto na exportação.
O desempenho da aquicultura paraense em 2023 reforça a importância do setor na estratégia de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Com políticas públicas articuladas, apoio técnico e incentivo à inovação, o estado se posiciona como um dos principais polos de produção de pescado do país.
“A tendência é de crescimento contínuo. Estamos estruturando um ambiente favorável ao investimento, à regularização e à qualificação da produção. O Pará tem tudo para liderar essa nova fronteira da aquicultura brasileira”, conclui Queiroz.
Fonte: SEDAP, adaptado por Carol Mendes.
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