Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo identificaram a atuação de predadores naturais no controle do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi), praga que pode comprometer lavouras destinadas à alimentação animal. O estudo, realizado em Minas Gerais e divulgado em outubro de 2026, destaca a importância do manejo integrado de pragas para preservar a produtividade e a qualidade da forragem.
A pesquisa acompanhou duas safras, 2020/21 e 2021/22, em Inhaúma (MG), comparando áreas com e sem aplicação de inseticidas. Por meio de amostragens semanais, os pesquisadores identificaram o pulgão-do-sorgo como a principal praga e observaram sua relação com predadores da família Syrphidae, conhecidos como moscas-das-flores.
Controle biológico favorece equilíbrio nas lavouras
Nas áreas sem aplicação de inseticidas, os pesquisadores encontraram maior diversidade e distribuição mais equilibrada dos insetos. As larvas de sirfídeos e as joaninhas contribuíram para o controle natural dos pulgões, enquanto as condições climáticas também influenciaram as populações da praga.
Segundo a pesquisadora Simone Mendes, da Embrapa, compreender a interação entre clima, pragas e inimigos naturais é fundamental para orientar estratégias de manejo. A precipitação, por exemplo, contribui para a mortalidade natural dos pulgões no campo.

Infestação pode comprometer qualidade da silagem
O pulgão-do-sorgo costuma se concentrar na parte inferior das folhas, dificultando a identificação precoce. Em infestações intensas, o inseto produz uma substância açucarada que favorece o desenvolvimento da fumagina, fungo que reduz a fotossíntese e pode prejudicar a qualidade da silagem.
O problema merece atenção na pecuária, pois o sorgo forrageiro é utilizado na alimentação de bovinos, especialmente na produção de silagem. A cultura apresenta elevada produção de massa verde e maior tolerância a condições de seca e calor extremo quando comparada ao milho.
Monitoramento é essencial para evitar prejuízos
A Embrapa recomenda o acompanhamento frequente das lavouras e, quando necessário, a utilização criteriosa de inseticidas seletivos, preservando os inimigos naturais. “Monitorar as lavouras é parte fundamental do manejo dessa praga”, ressalta Simone Mendes.
Os pesquisadores também apontam a necessidade de investigar o capim-massambará como possível reservatório do pulgão durante a entressafra. Os resultados reforçam a importância de integrar monitoramento, condições climáticas e controle biológico nas decisões de manejo.



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