Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) registrou uma leve queda geral em maio de 2025, impulsionada principalmente pela redução nos preços de cereais, açúcar e óleos vegetais. No entanto, um olhar mais atento revela que os setores de carne e laticínios apresentaram um movimento contrário, com aumentos significativos que contribuíram para sustentar o índice geral. Este cenário destaca a dinâmica complexa do mercado global de alimentos, onde diferentes commodities reagem a fatores distintos de oferta e demanda.
Destaque para Carnes: Demanda Global e Oferta Restrita Elevam Preços
O Índice de Preços de Carne da FAO alcançou 124,6 pontos em maio, um aumento de 1,3% em relação a abril e 6,8% superior ao nível do ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado por uma combinação de fatores que afetaram as principais categorias de carne:
•Carne Ovina: Os preços da carne ovina subiram, especialmente na Oceania, devido à forte demanda global de importação, com destaque para China, Oriente Médio e Europa.
•Carne Suína: O aumento nos preços da carne suína foi impulsionado pelo fortalecimento da demanda global e pela recuperação do status de livre de febre aftosa da Alemanha, o que impulsionou seus preços de exportação.
•Carne Bovina: Os preços globais da carne bovina atingiram um novo recorde histórico, reflexo da sólida demanda global e da oferta exportável restrita nos principais países produtores.
Em contraste, os preços da carne de aves registraram queda, principalmente devido à detecção de influenza aviária de alta patogenicidade no Brasil em meados de maio. Essa ocorrência levou a proibições de importação por diversos países, resultando em um excedente de oferta e pressão de baixa nos preços.

Laticínios em Alta: Demanda Robusta e Oferta Limitada
O Índice de Preços de Laticínios da FAO atingiu 153,5 pontos em maio, um aumento de 0,8% em relação a abril e 21,5% superior ao valor de um ano atrás. Diversos fatores contribuíram para essa elevação:
•Manteiga: Os preços internacionais da manteiga permaneceram em níveis historicamente altos, sustentados por uma forte demanda da Ásia e do Oriente Médio, em um cenário de oferta de leite mais restrita na Austrália. No entanto, uma desaceleração na demanda por manteiga de origem da União Europeia limitou aumentos ainda maiores.
•Queijo: Os preços do queijo aumentaram pelo segundo mês consecutivo, impulsionados pela demanda contínua do setor de serviços de alimentação, especialmente no Leste e Sudeste Asiático, e pela oferta limitada na União Europeia devido a condições climáticas adversas e surtos de doenças no início do ano.
•Leite em Pó Integral: Os preços do leite em pó integral subiram 4% adicionais em relação a abril, impulsionados por compras robustas da China e um crescimento limitado da oferta.
Por outro lado, os preços do leite em pó desnatado apresentaram uma leve queda, uma vez que a ampla oferta exportável das regiões produtoras de manteiga compensou o aumento da demanda do Oriente Próximo e Norte da África.
Embora o Índice de Preços de Alimentos da FAO tenha apresentado uma leve retração em maio, a resiliência dos preços de carnes e laticínios demonstra a complexidade das cadeias de suprimentos globais e a influência de fatores regionais e específicos de cada commodity. A demanda contínua por proteína animal, aliada a desafios na oferta em algumas regiões, sugere que esses setores podem continuar a exercer pressão de alta nos preços, mesmo com a queda em outras categorias de alimentos.
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