O produtor precisa fazer a sua parte. Precisa buscar produtividade, cuidar do manejo, preservar a sanidade, controlar perdas e profissionalizar a gestão. Mas seria um erro colocar toda a responsabilidade sobre ele. É o que explica o presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos, a APCS, Valdomiro Ferreira Júnior.
Segundo ele, mesmo uma granja eficiente continua exposta ao custo dos insumos, à qualidade da informação de mercado, ao equilíbrio das negociações, ao comportamento do consumo e às decisões regulatórias tomadas fora da propriedade. “Isso significa que a competitividade da suinocultura não é construída apenas dentro da porteira. Ela também depende de transparência de mercado, acesso à informação, organização coletiva, política pública responsável, segurança sanitária, ambiente regulatório claro e diálogo entre os elos da cadeia. Quando esses elementos falham, o produtor reage. Quando funcionam, ele consegue planejar. Essa diferença muda tudo”, afirma.

Margem não é privilégio. É capacidade de continuar
Falar de margem não é defender um benefício isolado para o produtor. É falar da continuidade de toda a cadeia. “É a margem que permite manter empregos, investir em sanidade, modernizar estruturas, cumprir exigências ambientais, adotar tecnologia, melhorar o bem-estar animal e preparar a sucessão. Sem margem, o produtor adia. Posterga manutenção, reduz investimento e passa a tomar decisões defensivas. Não por falta de compromisso, mas porque a atividade deixa de oferecer espaço para construir o futuro”, aponta Ferreira Junior.
Quando esse quadro se prolonga, o impacto não termina na granja. “Ele chega aos fornecedores, aos municípios, à indústria, ao varejo e ao consumidor. Por isso, a sustentabilidade econômica de quem produz não pode ser tratada como um assunto particular. Ela é uma condição para a estabilidade da cadeia”, diz.
O produtor independente precisa de inteligência coletiva
Nenhum produtor controla sozinho o custo dos insumos, o movimento do mercado, as exigências regulatórias ou o comportamento do consumo. “Mas ele pode enfrentar essas variáveis com mais informação e menos isolamento. É aqui que entram a representação setorial, as referências de mercado, o associativismo e as estratégias coletivas. Esses instrumentos não eliminam a volatilidade. Eles melhoram a qualidade da decisão”, destaca o presidente da APCS. “Inteligência coletiva, para mim, significa transformar experiências dispersas em informação útil. Significa levar a realidade da granja para os espaços em que regras e prioridades são definidas. Significa ampliar a capacidade de negociação e construir respostas que dificilmente surgirão de forma individual. O produtor independente não precisa perder autonomia para ganhar organização. Na verdade, quanto maior a sua responsabilidade individual, mais importante se torna o acesso a uma estrutura coletiva confiável. Representar o setor é transformar a realidade da granja em pauta concreta”, conclui Ferreira Junior.



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