A força da cadeia não pode ser medida apenas pelo volume que produz ou pelos mercados que alcança. Ela também depende da capacidade de o produtor investir, planejar e continuar produzindo.
A suinocultura brasileira aprendeu a produzir mais, melhorar processos e competir em mercados cada vez mais exigentes. Esse avanço merece ser reconhecido. Ele nasce do trabalho diário de produtores, equipes técnicas, empresas, entidades e profissionais que fizeram a atividade evoluir.
Quem explica essa questão é Valdomiro Ferreira Junior, Presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). Porém, ele faz um questionamento: esse avanço está dando ao produtor condições de planejar o próximo ciclo?

“Na presidência da APCS e nas demais frentes de representação das quais participo, acompanho de perto uma realidade que nem sempre aparece quando olhamos apenas para o desempenho geral da cadeia. O setor pode crescer enquanto parte de quem produz continua exposta a custos, oscilações de mercado e pouca previsibilidade.
Para o produtor independente, essa diferença é ainda mais sensível. Ele assume diretamente as decisões de compra, produção, investimento e comercialização. Tem autonomia, mas também carrega o risco de cada escolha”, destaca Ferreira Junior. “Por isso, crescimento sem margem não é desenvolvimento completo. É expansão com uma base vulnerável. Produzir mais é importante. Produzir com perspectiva é essencial. Quando falamos em crescimento, normalmente olhamos para produção, consumo, novos mercados e capacidade técnica. Todos esses indicadores importam. O problema aparece quando eles são tratados como se explicassem, sozinhos, a saúde econômica da atividade. Dentro da granja, a leitura é mais complexa”, aponta.
O produtor, segundo ele, precisa administrar alimentação, energia, mão de obra, sanidade, manutenção, transporte, exigências ambientais, financiamento, tecnologia e comercialização. Precisa manter a qualidade da produção enquanto lida com variáveis que mudam mais rápido do que a sua capacidade de resposta. “Uma cadeia pode apresentar bons resultados gerais e, ao mesmo tempo, deixar o produtor sem espaço para investir. Pode ampliar sua presença no mercado e ainda assim conviver com insegurança na base. Pode produzir mais sem transformar esse volume em previsibilidade”, aponta. “E a previsibilidade não significa eliminar o risco. Nenhuma atividade produtiva oferece essa garantia. Significa dar ao produtor melhores condições para ler o mercado, organizar custos, negociar com critério e tomar decisões antes que o problema esteja dentro da granja”, conclui Valdomiro Ferreira Junior.



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