A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo tem contribuído de forma decisiva para o avanço da pesquisa e da inovação no fornecimento de leite A2. Um dos destaques é o projeto desenvolvido no município de Novo Horizonte, no interior paulista, que passou a distribuir gratuitamente essa variedade de leite à população, com apoio técnico-científico do Instituto de Zootecnia (IZ-Apta).
Considerado pioneiro no Estado, o projeto já beneficiou cerca de 5 mil moradores e distribuiu mais de 13 mil litros de leite A2, segundo dados da prefeitura. A iniciativa tem como foco atender pessoas que apresentam desconforto gastrointestinal ao consumir o leite tradicional e seus derivados.
O Instituto de Zootecnia, referência nacional na identificação do leite A2, atua por meio do Laboratório de Genética e Biotecnologia, responsável pelas análises que garantem a pureza do produto e permitem sua certificação, assegurando maior segurança ao consumidor.
De acordo com o prefeito de Novo Horizonte, Fabiano Belentani, a parceria com o Instituto foi essencial para a consolidação do projeto. “O Instituto disponibilizou o espaço da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia para realizar os exames nas vacas, identificando os animais A1 e A2, além de aferir a qualidade e a pureza do leite”, afirmou.
Inicialmente, o fornecimento do leite A2 foi direcionado aos alunos da rede municipal de ensino. Com a ampliação do projeto, o produto passou a atender também unidades de saúde e postos de assistência social. “Nós fornecemos o alimento na merenda escolar, na saúde para pacientes crônicos e idosos e também na assistência social”, explicou o prefeito.
Entre os beneficiados está a moradora Fátima Aparecida, que passou a consumir o leite A2 após enfrentar dificuldades digestivas decorrentes de uma cirurgia por câncer de intestino. Segundo ela, somente essa variedade permitiu o consumo sem efeitos adversos. “Eu tinha tomado vários tipos de leite, e nenhum deu certo. Até chegar o A2, que foi muito bom para mim”, relatou.

Diferença do leite A2
Pesquisas indicam que parte da população brasileira apresenta sensibilidade ao consumo do leite convencional. Segundo o pesquisador Aníbal Eugênio Vercesi Filho, diretor da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ, durante a digestão do leite com beta-caseína A1 forma-se um peptídeo chamado beta-casomorfina 7 (BCM-7), que pode causar inflamação intestinal em alguns indivíduos.
“Em determinados casos, a BCM-7 pode desencadear sintomas como inchaço, gases, dor abdominal e diarreia. Esse peptídeo não é formado na digestão do leite A2”, explicou o pesquisador.
A nutricionista da Diretoria de Segurança Alimentar da Secretaria de Agricultura, Sizele Rodrigues, destaca que problemas relacionados ao consumo de leite são comuns na infância. “A alergia à proteína do leite de vaca é a mais frequente em crianças de até três anos e está relacionada à reação do sistema imunológico às proteínas do leite”, afirmou.
Segundo a nutricionista, estudos apontam benefícios potenciais do leite A2, embora sejam necessárias pesquisas contínuas. “Esse tipo de leite pode ser uma alternativa para pessoas com maior sensibilidade digestiva, por apresentar digestão mais fácil”, completou.
Apoio à pecuária leiteira paulista
Além do incentivo à pesquisa, a Secretaria de Agricultura também investe no fortalecimento da pecuária leiteira paulista. Por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), a pasta mantém a linha de crédito Leite Agro SP, voltada à modernização da atividade e à adoção de tecnologias de produção. Em 2025, mais de 60 produtores foram beneficiados.
Segundo o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, a linha de crédito permite investimentos em genética, nutrição e infraestrutura. “Com condições diferenciadas, o produtor melhora a qualidade do leite, reduz custos e ganha competitividade”, destacou.
Outra iniciativa é o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), que possibilita a compra direta de produtos da agricultura familiar pelo poder público estadual. O leite está entre os itens contemplados. Apenas neste ano, o programa já movimentou mais de R$ 53 milhões em compras públicas, fortalecendo a produção local e a renda no campo.
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