O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) iniciaram uma mobilização nacional para ampliar a presença do pescado nas refeições oferecidas aos estudantes da rede pública. A iniciativa integra um Acordo de Cooperação Técnica entre os três órgãos e estabelece 2026 como o Ano do Pescado na Alimentação Escolar.
A ação tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, a pesca artesanal e a aquicultura familiar no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A proposta também busca ampliar o acesso dos estudantes a alimentos nutritivos, valorizar a produção local e incentivar o desenvolvimento socioeconômico de comunidades pesqueiras e aquícolas.
Pesquisa aponta espaço para crescimento
Uma pesquisa nacional realizada pelo FNDE, em parceria com MEC e MPA, ouviu 2.330 profissionais vinculados ao PNAE, entre nutricionistas responsáveis técnicos e merendeiras escolares de diferentes regiões do país. O levantamento indica que ainda há espaço para ampliar a oferta de pescado nas escolas públicas brasileiras.
Entre os nutricionistas entrevistados, 64% afirmaram que o alimento ainda não é ofertado nas unidades escolares sob sua responsabilidade. Entre as merendeiras escolares, esse percentual foi de 46%, mostrando diferença entre o planejamento técnico dos cardápios e a rotina observada nas cozinhas.
Valor nutricional reforça importância
A inclusão do pescado na alimentação escolar é considerada estratégica pela composição nutricional do alimento. Rico em proteínas de alto valor biológico, ácidos graxos ômega-3, vitaminas e minerais essenciais, o pescado pode contribuir para o crescimento, o fortalecimento do sistema imunológico e o desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes.
Segundo a nutricionista Jéssica Levy, doutora pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pós-doutora pelo Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o alimento reúne nutrientes importantes para a fase escolar. “O pescado tem um papel estratégico na alimentação escolar por reunir nutrientes essenciais para o crescimento físico, o desenvolvimento cognitivo e a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância. Além de ser uma proteína de alto valor biológico, fornece micronutrientes importantes como vitamina D, vitamina B12, iodo, selênio, ferro e zinco, fundamentais em uma fase marcada por intenso desenvolvimento físico e neurológico”, explica.

Tilápia lidera espécies citadas
Os dados da pesquisa mostram predominância da tilápia entre as espécies utilizadas na alimentação escolar. Entre os nutricionistas responsáveis técnicos, a espécie teve 778 citações, à frente de sardinha, com 286; atum, com 102; e cação, com 83.
Entre as merendeiras, a tilápia também apareceu em primeiro lugar, com seis citações, seguida por sardinha, pirarucu e pescada. Considerando os dois grupos analisados, a tilápia concentrou cerca de 62% das menções identificadas no levantamento.
Filé é formato mais utilizado
O levantamento também apontou que o filé de peixe é a forma de aquisição mais utilizada pelas redes de ensino. Entre os nutricionistas, o formato registrou 1.031 citações, enquanto os produtos enlatados somaram 392 menções.
Entre as merendeiras, o filé também liderou, com nove registros, seguido por enlatados e isca de peixe. Os dados indicam preferência por formatos considerados mais práticos, seguros e adequados à rotina da alimentação escolar.
Produção local pode ser fortalecida
Além dos benefícios nutricionais, a ampliação do pescado nas escolas pode abrir novas oportunidades de comercialização para pescadores artesanais e aquicultores familiares. A medida também contribui para valorizar tradições alimentares regionais e fortalecer sistemas alimentares mais sustentáveis.
Para o pescador da Cooperativa de Pesca Artesanal (COOPERPESCA), Denir de Jesus Júnior, o fornecimento para escolas representa segurança para a atividade e contribuição à alimentação dos estudantes. “Fornecer pescado para a alimentação escolar é muito importante porque estamos oferecendo um alimento saudável, fresco e sem alterações. Trabalhamos com responsabilidade, respeitando as leis ambientais e os períodos de defeso e piracema, garantindo a proteção das espécies e a continuidade da pesca na nossa região”, afirma.
Educação alimentar entra na estratégia
A campanha também integra ações de Educação Alimentar e Nutricional voltadas à formação de hábitos saudáveis desde a infância. No ambiente escolar, a oferta regular de pescado pode ampliar a diversidade alimentar, melhorar a qualidade das refeições e aumentar a densidade nutricional das dietas.
A iniciativa dialoga com o Programa Povos da Pesca Artesanal e com as diretrizes do Plano Nacional da Pesca Artesanal. Para a cadeia aquícola e pesqueira, o movimento representa uma oportunidade de aproximar produção local, políticas públicas e consumo institucional em uma agenda com impacto nutricional, social e produtivo.
Fonte: FNDE, MEC e MPA, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Eficiência operacional é a chave para a competitividade logística no Brasil
Estudo mede pegada de carbono do soro de leite na cadeia láctea brasileira
IA ajuda a prever plantas daninhas em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária





