A pecuária brasileira caminha para um período marcado por desafios e incertezas, especialmente diante da aplicação de salvaguardas chinesas sobre as exportações de carne bovina. A medida tende a gerar volatilidade nos embarques ao longo dos próximos meses, ao mesmo tempo em que a oferta interna segue elevada. Apesar desse contexto, a curva futura do boi gordo aponta para estabilidade de preços no curto prazo e leve valorização em 2026 na comparação com 2025.
De acordo com o último relatório do Itaú BBA, a imposição das salvaguardas pela China sobre um volume expressivo da carne brasileira representa um obstáculo relevante para a cadeia pecuária. A expectativa é de que o tema continue influenciando a formação de preços por vários meses, uma vez que o governo chinês deverá avaliar de forma gradual os impactos da medida ao longo do ano. Analistas avaliam que, caso haja desorganização no setor para o preenchimento das cotas, incluindo uma possível corrida entre exportadores, a demanda pode se intensificar no curto prazo. Em um segundo momento, porém, a tendência seria de enfraquecimento, especialmente quando a tarifa de 67% passar a vigorar integralmente. A possível redução dos embarques para o México também surge como um fator adicional de preocupação.

No mercado interno, a oferta de gado terminado deve permanecer elevada nos próximos meses. A sazonalidade favorece a entrega de animais de pasto, enquanto o período de descarte de fêmeas contribui para ampliar a disponibilidade. Como a perda de fôlego das vendas para a China não deve ocorrer de forma imediata, a avaliação predominante é de que os preços do gado não sofram pressão significativa no curto prazo.
Por outro lado, o cenário internacional aponta para uma possível escassez de carne bovina em 2026, o que pode abrir oportunidades para o Brasil. Considerado o produtor mais competitivo do mercado global, o país tende a ocupar espaços deixados por nações que consigam ampliar suas vendas dentro da cota chinesa.
As incertezas em relação ao fluxo de exportações em 2026 já se refletem na curva futura do boi gordo. Alguns vencimentos recuaram até R$ 10 por arroba em comparação a 30 dias atrás. Ainda assim, para o primeiro semestre, a curva indica preços praticamente estáveis, sustentados por um mercado físico que segue firme até o momento, ajudando a mitigar parte das incertezas do setor.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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