Caroline Mendes, de Maringá (PR)
O futuro da avicultura e da suinocultura brasileiras foi debatido no painel “Como manter o protagonismo do Paraná e do Brasil no mercado global de carnes”, realizado durante a II Feira de Avicultura de Maringá. Para os participantes, o setor vive um momento de solidez, mas a manutenção da posição de destaque internacional depende de avanços em biosseguridade, crédito e logística.
Roberto Kaefer, presidente da Associação das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), ressaltou a força do setor no Estado. “O Paraná é o maior produtor de frango do Brasil, com mais de 19 mil aviários e impacto de R$ 46 bilhões no valor bruto da produção estadual. Somos fortes e trazemos renda para o Paraná e para o Brasil”, destacou. Ele alertou, no entanto, para a necessidade de maior atenção à sanidade. “Não temos 50% dos aviários telados. Se um foco de influenza aviária atingir uma granja comercial, fecha o Estado. A prioridade número um é sanidade.”
José Antonio Ribas Júnior, diretor-executivo da Seara, reforçou o papel do Brasil como fornecedor global de proteína animal. “Ninguém consegue estar há 30 anos exportando para mais de 150 países sem ter qualidade. Temos eficiência zootécnica, competitividade e sustentabilidade que nenhum outro país alcança. Por isso enfrentamos tantas barreiras e tarifas”, afirmou.

Ele lembrou o episódio da influenza aviária e a rápida reação do setor brasileiro. “Em 48 horas limpamos o foco no Rio Grande do Sul. Em cinco dias monitoramos 10 quilômetros. Nenhum outro país conseguiu agir com essa eficiência. Esse é um patrimônio que precisamos mostrar ao mundo”, disse Ribas, destacando também que o Brasil é líder em pegada de carbono e uso racional de água na produção.
Apesar das vantagens competitivas, Ribas criticou os gargalos internos. “Temos um apagão logístico, um apagão de crédito e insegurança jurídica. O dinheiro agrícola mais caro do mundo é o brasileiro. Enquanto nos EUA o produtor paga 3% ao ano, aqui o Plano Safra chega a 12%”, afirmou. Para ele, falta um plano estratégico de longo prazo para o agro, que permita novos investimentos e expansão sustentável.
O equilíbrio entre oferta e demanda também foi apontado como fator essencial. Segundo Kaefer, o setor deve evitar crescimentos acelerados que prejudiquem os preços. “Se produzirmos em excesso, todos perdem. O objetivo não é crescer muito, mas de forma vegetativa, mantendo a cadeia valorizada”, destacou.
Mesmo diante de desafios logísticos e financeiros, as perspectivas são positivas. Ribas projetou que o Brasil deve fechar 2025 com produção recorde de 15,3 milhões de toneladas de frango, sendo mais de 5,2 milhões destinadas ao mercado externo. “Se mantivermos cautela e responsabilidade, temos condições de viver três anos consecutivos de bons resultados”, afirmou.
Para os debatedores, a união entre produtores, indústrias e entidades representativas será decisiva. “O agro é a engrenagem que movimenta o Brasil para além das capitais e do litoral. Cabe a nós garantir que ele continue sustentando o desenvolvimento do País”, concluiu Ribas.
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