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Palhada e semeadura escalonada ajudam a proteger soja do El Niño

Embrapa recomenda planejamento regional diante da previsão de excesso de chuva no Sul e precipitações irregulares no centro-norte do País

A possibilidade de permanência do El Niño durante a safra 2026/27 exige planejamento antecipado dos produtores brasileiros de soja. Orientações divulgadas pela Embrapa em 18 de agosto indicam que práticas adotadas antes do plantio podem reduzir perdas provocadas pelo excesso ou pela irregularidade das chuvas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno persistir, pelo menos, até o início de 2027. O cenário aumenta a possibilidade de chuvas acima da média no Sul e de precipitações abaixo do normal em áreas do centro-norte do País.

Zarc distribui riscos da safra

Uma das principais recomendações é respeitar as épocas de semeadura indicadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que considera o histórico de cada município. A Embrapa também orienta escalonar o plantio e combinar cultivares de diferentes ciclos.

A diversificação evita que toda a lavoura atravesse a mesma fase de desenvolvimento quando ocorrer uma estiagem ou um período de chuva intensa. Embora os efeitos possam ser menos perceptíveis no Centro-Oeste e no Sudeste, essas regiões também podem enfrentar calor, baixa umidade e atraso no início das precipitações.

Plantas de soja apresentam sintomas de morte provocada pela podridão-radicular de fitóftora, doença favorecida por solos compactados, mal drenados e com acúmulo de água. Crédito: Leila Costamilan/Embrapa.

Palhada protege solo e umidade

Antes da semeadura de culturas como soja e milho, a formação de palhada ajuda a proteger o solo. No Sul, plantas de cobertura como centeio, aveia e nabo forrageiro reduzem o impacto das gotas e a erosão hídrica. Semeadura em nível e terraços também contribuem para controlar o escoamento superficial.

No Norte e no Nordeste, braquiária, milheto e crotalária favorecem a infiltração, diminuem a evaporação e ajudam a conservar a umidade. Essas medidas ganham importância diante do risco de chuvas escassas ou mal distribuídas.

Condições alteram riscos fitossanitários

O excesso de umidade no Sul pode favorecer podridão-radicular de fitóftora, ferrugem-asiática, mofo-branco, mancha-alvo e antracnose. A orientação inclui cultivares resistentes, tratamento de sementes, vazio sanitário, semeadura precoce e monitoramento das lavouras.

No Norte e no Nordeste, a menor umidade pode reduzir doenças foliares, mas dificultar o controle de plantas daninhas e favorecer pragas como a mosca-branca. A recomendação é monitorar as áreas e realizar pulverizações apenas nas condições adequadas.

Reflexos alcançam alimentação animal

A soja fornece o farelo utilizado na alimentação de aves e suínos. Por isso, medidas que protegem a produtividade também reduzem uma fonte de incerteza para a cadeia de ração, embora o clima não seja o único fator que determina disponibilidade e preços.

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