O fortalecimento do El Niño entre agosto e outubro de 2026 já modifica as perspectivas agrícolas em diferentes continentes, embora ainda não haja evidência de quebra generalizada das colheitas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê alterações relevantes na distribuição das chuvas e temperaturas acima da média, com efeitos que variam conforme o país, a cultura e o estágio da lavoura.
O cenário interessa aos mercados de grãos e ração porque pode afetar produtividade, qualidade, calendário de colheita e oferta regional. Nas próximas semanas, o desenvolvimento de trigo, milho e soja ajudará a mostrar se os sinais atuais permanecerão localizados ou resultarão em perdas.
Pressões variam entre países
No Brasil, a atenção está voltada ao trigo no Sul. A Conab informou, em agosto, que as lavouras apresentavam bom estabelecimento em grande parte do Rio Grande do Sul e do Paraná. Em áreas paranaenses, porém, o excesso de chuva e a menor luminosidade limitaram o desenvolvimento. A continuidade da umidade em fases sensíveis pode elevar a pressão de doenças e comprometer a qualidade dos grãos.

Na Austrália, o serviço meteorológico prevê chuva abaixo da média em partes do oeste e do leste entre agosto e outubro, condição que pode pressionar trigo, cevada e canola. Na Índia, o departamento meteorológico indicou enfraquecimento das chuvas em áreas da península no fim de agosto. O risco, contudo, permanece regional e não representa uma seca uniforme no país.
Na Argentina, a análise original aponta que chuvas recentes melhoraram a umidade do solo e as perspectivas do trigo, após um início mais seco. No Canadá, a umidade acumulada no começo do ciclo sustentou parte das lavouras, mas o monitoramento oficial registra focos de calor e seca no oeste.
Influência é menor nos EUA
Nos Estados Unidos, a NOAA avalia que a influência do El Niño costuma ser menos definida durante o verão. Por isso, o fenômeno isoladamente não permite antecipar o desempenho do milho e da soja; chuva, temperatura e umidade do solo nas fases críticas seguem mais determinantes.
O El Niño, portanto, já reorganiza o mapa de riscos agrícolas, mas ainda não confirma uma quebra global. Austrália e Sul do Brasil exigem maior acompanhamento, enquanto Argentina, Canadá, Índia e Estados Unidos apresentam quadros distintos.



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