A busca por rentabilidade e escala nos sistemas de produção pecuários tornou as reservas de forragem e o uso de concentrados ferramentas indispensáveis para garantir a escala de produção. No entanto, a dependência severa de grãos convencionais, como o milho e a soja, coloca o produtor em uma posição extremamente vulnerável diante das oscilações de mercado e dos altos custos de safras. Ficar refém exclusivamente de safras e do mercado de commodities é um risco elevado no cenário global contemporâneo, onde a alta instabilidade causada por guerras bélicas e disputas comerciais inflaciona preços de forma imprevisível. Essa dependência do mercado externo torna o negócio pecuário perigoso e arriscado, exigindo que o produtor busque alternativas para proteger suas margens de lucro. É nesse contexto que os alimentos alternativos, resultantes do processamento agroindustrial, surgem como uma rota estratégica para manter o desempenho animal e a sustentabilidade global do sistema. O sucesso nessa transição, contudo, exige que o produtor compreenda a hierarquia desses materiais, diferenciando o que é um coproduto, com valor de mercado e potencial nutricional estabelecido, de subprodutos ou resíduos, que muitas vezes apresentam desafios logísticos e de padronização.
Para que a substituição da soja ou do milho seja financeiramente vantajosa, não basta apenas identificar se o alimento alternativo servirá como fonte principal de proteína, carboidrato ou fibra. É fundamental conhecer com exatidão a composição nutricional completa desses ingredientes para formular uma dieta equilibrada e calcular com precisão se os custos de aquisição, transporte e conservação resultarão em uma redução real no custo de produção. Além disso, é indispensável que o técnico responsável pela formulação realize uma pesquisa rigorosa na literatura científica para validar a viabilidade nutricional desses insumos. Essa investigação deve garantir que o alimento não possua fatores antinutricionais, capazes de causar prejuízos metabólicos ou intoxicações graves ao rebanho, respeitando sempre os limites de inclusão para cada espécie e categoria animal.
O processo de decisão deve começar pela análise do método de processamento que esse alimento alternativo proveniente da agroindústria passou, pois ele define o perfil energético e proteico disponível. Aqueles provenientes do processamento de grãos de oleaginosas exigem atenção: se resultantes de extração mecânica, conhecidos como tortas, preservam um maior teor de gordura, sendo excelentes fontes de energia. Já os farelos, oriundos da extração química por solventes, apresentam menor teor de gordura e, frequentemente, uma concentração proteica mais elevada, como observado nos farelos de algodão e de mamona, que pode variar de 28% a 43% de proteína bruta. Nessa mesma linha de resíduos de grandes indústrias, os DDGS (Grãos de Destilaria com Solúveis) vêm surgindo como uma grande alternativa estratégica. Fruto da crescente indústria do etanol de milho no Brasil, os DDGS são coprodutos que concentram tanto energia quanto proteína, apresentando-se como uma opção moderna e de alta aplicação na pecuária. Com a expansão exponencial deste setor industrial, a oferta de DDGS tende a crescer, consolidando-se como um ingrediente chave para reduzir a dependência direta do grão inteiro na dieta. Essa distinção é vital para formular dietas que atendam aos requerimentos específicos de cada categoria, desde vacas em lactação até bovinos em terminação.
Além do perfil nutricional, a viabilidade logística e o teor de matéria seca desses resíduos determinam o lu com a gestão de custos, transformando o desperdício industrial em uma fonte estável, nutritiva e lucrativa.
Leia a matéria completa na edição 228 da revista Feed&Food

LEIA TAMBÉM
Importação de tilápia do Vietnã pressiona preços e acende alerta sanitário no Brasil





