Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de grãos brasileiro registrou movimentos importantes nas últimas semanas, de acordo com levantamentos do Cepea/Esalq. No segmento da soja, o destaque foi a participação recorde do óleo na margem de lucro da indústria de esmagamento. Em 11 de setembro, o produto respondeu por 49% da margem, praticamente igualando-se ao farelo, que ficou com 51%. Para comparação, em 2024, a participação média do farelo era de 62,2%, enquanto o óleo representava 37,8%. Essa mudança reflete, principalmente, a demanda aquecida pelo óleo de soja, impulsionada pelo setor de biodiesel, que tem absorvido volumes crescentes e alterado o equilíbrio tradicional entre os derivados.

No mercado do milho, mesmo com o aumento das estimativas de produção, os preços seguem firmes. A Conab elevou em setembro a previsão para a safra 2024/25, que deve alcançar 139,69 milhões de toneladas – resultado 2% maior que o estimado no mês anterior e 21% superior ao da safra passada. Apesar disso, a oferta disponível no mercado interno tem se mostrado limitada, uma vez que muitos vendedores adotam postura cautelosa, o que, aliado à demanda doméstica consistente, tem sustentado as cotações em diversas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Esses dois movimentos evidenciam um cenário de ajustes relevantes nas cadeias de grãos. De um lado, a valorização do óleo de soja redesenha a rentabilidade da indústria de esmagamento, abrindo espaço para novos arranjos comerciais e estratégicos. De outro, a firmeza dos preços do milho, mesmo diante de uma safra volumosa, reforça o peso da demanda interna e das condições de oferta no equilíbrio de mercado.
LEIA TAMBÉM:
ABPA apresenta projeções otimistas para avicultura, suinocultura e ovos no Brasil
Carne bovina dispara e proteína animal sustenta exportações em agosto
Relevância de marca no agronegócio: estratégia comercial, fidelização e valor sustentável





